Mostrando postagens com marcador Família Della Negra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família Della Negra. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Cidadania Italiana, a saga continua

Documentos, certidões, requerimentos, tudo certo para o processo do reconhecimento da cidadania italiana, porém há 2 caminhos bem distintos a percorrer.

Me cadastrei no site do Consulado Italiano de São Paulo para solicitar o agendamento da entrega dos documentos solicitados para a cidadania, mas a resposta que tive não foi das mais animadoras:


Prezado Usuário,

Em relação ao seu pedido informamos que deverá comparecer no dia 12/06/2019, das 8:30h às 11:00h no Consulado Geral da Itália - São Paulo situado na Av. Paulista, 1963 munido dos documentos a serem legalizados.



Como é que é???? 2019??? Daqui a 9 anos??? Ma che cazzo?!?!?!
Pois é, esta é a fila para a legalização aqui em São Paulo, 9 anos de espera.

Como não sou de esperar muito, minha ansiedade não permite, resolvi buscar outras alternativas, empresas especializadas em assessoria no processo de reconhecimento da cidadania italiana.
Algumas são com certeza pura enganação, outras parecem ser mais sérias, mas quase todas tentam com aquele jeitinho brasileiro conseguir a legalização das certidões aqui para poder solicitar o passaporte direto na Itália.

Existem algumas discordâncias no assunto. Em uma delas, a pessoa me disse que o processo seria: retificar o documento (alterar datas e nomes na certidões de nascimentos), traduzi-los para o italiano, depois entrar com um recurso no consulado italiano para a legalização do documento, ou seja, furar a fila de espera, e só depois disso, a legalização para poder tirar o passaporte na Itália. Tudo isso pela bagatela de 18.000 reais, fora a parte italiana, que deveria ser feita em Verona.

Outra empresa me passou o valor de 9.000 reais para traduzir e legalizar os documentos no consulado, fora a parte italiana. Tudo isso sem a necessidade de retificação das certidões, para depois retirar o passaporte na Calabria.

Em outra empresa, não ficaria por menos de 12.000 reais, pois além da legalização, teria que retificar os documentos pra depois embarcar para Milano e retirar o passaporte.

Realmente, a coisa parece ser bem mais complicada do que parecia, ou espero 9 anos, ou então gasto em torno de 18.000 reais para tirar fora do país em mais ou menos 6 meses.

Ano que vem tenho um casamento em Madrid, minha cunhada vai casar lá, e posso aproveitar a viagem para tirar o meu passaporte italiano. Tudo depende do tempo e do $tempo$, com certeza vai sair, mas não sei por onde.

Vamos que vamos! A saga continua...

terça-feira, 9 de março de 2010

Mio bisnonno é nato a Montecchio Maggiore

Finalmente!!!! Depois de alguns anos na busca, semana passada chegou em casa a certidão de nascimento italiana do meu bisnonno, Giuseppe Della Negra.

Como eu acreditava, ele nasceu em Montecchio Maggiore (VI) no dia 13 de junho de 1882. Estava com dúvidas se acharia essa certidão em Montecchio, pois apenas tinha certeza que seu irmão era de lá.

Em 2007, mesmo com dúvidas, fui pessoalmente a Montecchio Maggiore tentar algo, porém pessoalmente não adianta muito, pois eles necessitavam de tempo para fazer uma "ricerca" nos arquivos.

Continuei na expectativa, aguardando uma resposta de Montecchio, enquanto isso, fui mandando emails para outras comunes de Vicenza, para ver se existia alguma outra possibilidade.

Provavelmente a comune estava com sérios problemas para fazer essa busca. Apenas no ano passado chegou a certidão do Antonio, seu irmão, e só agora a do Giuseppe, depois de 3 anos.

Uma coisa é certeza, meu sobrenome italiano é na verdade "Dalla Negra" e não "Della Negra", como fomos registrados no Brasil. Na própria hospedaria do Brás, a família já chegou com erro no sobrenome, desde então siamo tutti Della Negra e non Dalla Negra.

Bom, valeu a pena a espera, agora vou atrás dos outros documentos que faltam para tirar a cidadania italiana: certidão de casamento, óbito, fazer retificações nos documentos, tradução e depois ficar na fila de 11 anos...


Montecchio Maggiore

Aqui vou falar um pouco sobre a cidade e seus principais pontos turísticos de onde nasceu mio bisnonno paterno.

A cidade é uma das comune italianas da região do Vêneto, província de Vicenza, com cerca de 23.000 habitantes. A origem do nome é do termo "monti clus", que significa "pequena montanha" em latim.
A cidade fica em um local estratégico detectado pelos romanos, pois fica no caminho para o valle Agno, depois de uma estrada ser construída conectando Vicenza ao Campo del Gallo.

Em 1236 a cidade foi de domínio romano, e desde então, a região foi submetida a várias invasões na Idade Média. No século VI foram os lombardos e os bizantinos que acabaram se estabelecendo a sua autoridade por lá, depois tornando-se um grande centro de Ducato vicentino.

Cangrande em 1311 e mais tarde Cangrande II, conquistaram Montecchio e os territórios do domínio Vicentino, e em um projeto para melhorar as estruturas militares, eles construíram os castelos, colocando como responsável, Giovanni Della Scala, a fim de defender a capital e reforçar a estrutura defensiva da comunidade, com uma rede de castelos e muralhas de pedra que são a atração principal da cidade.

As fortalezas poderosas que dominavam Montecchio Maggiore, são os restos de um poderoso complexo para controlar e defender o caminho de Verona a Vicenza.


No século XV, o Vêneto caiu sob a soberania de Veneza, que foi governado até 1797, ano da queda da República Veneziana.
Depois, Montecchio Maggiore foi sede de um pequeno reino que inclui as cidades vizinhas de Sovizzo, Gambugliano, Montemezzo e Mount St. Lorenzo.

No final do século XIX, são realizadas obras civis e religiosas de importância fundamental para a chegada século XX, destacando-se um notável desenvolvimento industrial.



Exibir mapa ampliado



Castelli Scaligeri

Os 2 castelos são os pontos turísticos mais importantes da cidade. O que vemos hoje dos castelos são a versão existente construída por Antonio Della Scala, senhor de Verona, na segunda metade do século XIV.


Historiadores, dizem que já haveria um castelo fortificado desde o ano 1000 no alto do morro com vista para a cidade histórica de Montecchio Maggiore, na verdade, poderíamos dizer que a cidade se desenvolveu no pé da colina do castelo.


O Castello Della Villa (Castello di Romeo) é um belo documento da arquitetura militar, mesmo que as ameias tenham sido destruídas, as restaurações efetuadas nas últimas décadas acabaram transformando-o em um teatro ao ar livre, aberto ao público, com sessões de cinema e outros eventos.


A torre de menagem, é agora usada como espaço para exposições, que se estende ao longo de cinco andares ao topo, sendo visível pelos vales vizinhos.

O Castello Della Bellaguardia (Castello di Giulieta) foi construído com o objetivo de observar a planície entre Verona e Vicenza no ponto mais alto da colina.

As restaurações adaptaram este castelo para receber um charmoso restaurante que opera regularmente a partir dos anos 50.

Ristorante Giulietta e Romeo - http://www.ristorantegiuliettaeromeo.it/

A tradição diz que as duas famílias Montecchios e os Capuletos, da história de Romeu e Julieta, realmente existiram e habitaram os 2 castelos.

As duas famílias, eternas inimigas, foram confiadas as fortalezas de Montecchio pelo senhor de Verona, Cangrande della Scala, para uma reconciliação e aproximar-los na missão de proteger o território.

A intenção foi em vão, mas ali nasceu o amor de grande obstáculo que acabou em final trágico na cidade de Verona.


História foi narrada pela primeira vez em 1524 por Luigi Da Porto Vicenza, no final desse século, e depois inspirou o gênio de William Shakespeare.

Video di Castelli di Montecchio Maggiore



Villa Cordellina Lombardi

O imponente edifício no complexo com seus anexos podem ser considerados um dos mais importantes vilas venetas do século XVIII.


Criada 1735-1760 com desenhos do arquiteto veneziano Giorgio Massari, abriga no salão central do piso principal, um notável "ciclo di affreschi" de Giambattista Tiepolo.


Restaurada entre os anos de 1953 - 1956 por Victor Lombardi, empresário industrial de Brescia, financiador da expedição italiana ao topo do K2, em 1954, queria reformar a casa de campo o mais fiel possível ao seu esplendor original.

Desde 1970 é propriedade da Administração Provincial de Vicenza, que a utiliza para fins culturais e aberto ao público visitante.



O "ciclo di affreschi" é uma celebração da exaltação das virtudes da razão sobre a paixão, a intolerância e a superstição, um tema caro à filosofia iluminista que, em meados do século XVIII, havia conquistado toda a Europa.

De especial relevância artística também a composição de esculturas originais ainda está preservada, no jardim e na fachada da casa de campo.

O complexo do palácio inclui a casa, os estábulos de cavalos e casas de hóspedes, além de estábulos rústicos e celeiros para recolher os alimentos nos campos.

Duomo di Santa Maria e San Vitale

É um edifício neo-gótico que data de 1892 que abriga os altares e obras de arte da antiga igreja paroquial demolida.


Este edifício tinha origens antigas antes do ano 1000 e foi a igreja matriz de todos os edifícios sagrados dos vales de Chiampo e dell’Agno.


Na Catedral há uma preciosa pintura do século XVIII feita por Antonio De Pieri, pintor de Vicenza, um trítico de pedras preciosas de origem século XV, que tem origem na antiga igreja paroquial, outras obras menores século XIX e uma série de obras recentes, entre eles uma Via Crucis e um grande crucifixo pintado de acordo com a igreja gótica do século XIV.



Vídeo das atrações de Montecchio Maggiore

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Brasão oficial da família Della Negra

Encontrei uma outra ramificação da minha família aqui no Brasil, o mesmo sobrenome Della Negra, mas teoricamente são de outra região da Itália, do Piemonte.

De qualquer forma, somos do mesmo sangue, a mesma família, acredito que parte dela saiu do Piemonte e acabaram indo para Vicenza constituindo este outro ramo na região.

Sandro Della Negra Povegliano foi quem me deu este brasão dos Della Negras de Piemonte e que provavelmente é o brasão oficial da família, pois ele esta registrado na Racolta Araldica del Cav. Leone Tettoni di Torino.


Este stemma é bem mais bonito do que aquele que encontrei no ramo de Vicenza, que postei aqui

Agora que percebi que neste brasão há simbolos do baralho (naipes) que são as cartas pretas, espadas e paus, o famoso casal preto. Será que é por isso que gosto muito de truco? Tá no sangue!!!

Alguns significados dos naipes:

- Espadas - facas, simbolizando a lâmina e o "masculino". representa a NOBREZA, já que os cavaleiros nobres são antes de tudo guerreiros e a espada é a arma-símbolo desta condição.

- Paus - cetros, a linhagem real, o bastão florescente, representa os camponeses, já que aparenta ser um instrumento de trabalho no campo.

Personalidades da história nestes naipes:

  • Rei de Espadas - o rei israelita Davi;
  • Rei de Paus - Alexandre, o Grande;
  • Dama de Espadas - A deusa grega Atena;
  • Dama de Paus - Elizabeth I de Inglaterra;
  • Valete de Espadas - Hogier, primo de Carlos Magno;
  • Valete de Paus - Sir Lancelot ou Judas Macabeu;

Conheça mais sobre a história da família Della Negra aqui neste blog:

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Navio Aquitaine e a imigração para a América do Sul

De acordo com o documento que encontrei no Memorial do Imigrante do Bráz, meu bisavô italiano chegou no porto de Santos no dia 19 de setembro de 1891, provavelmente partindo do Porto de Genova. Giovanni Della Negra (Pai, 50 anos), Antonio Della Negra (filho, 10 anos), Giuseppe Della Negra - mio bisnonno (filho, 8 anos), Catarina Della Negra (filha, 12 anos), Rosa Della negra (filha, 14 anos) e Teresa Spirea (esposa, 49 anos).

A familia Della Negra naquele momento estava colocando os pés no Brasil.

Todos eles atravessaram o Oceano Atlântico, trazendo tudo o que podiam em uma aventura de mais ou menos 25 dias abordo de um navio a vapor chamado Aquitaine.

O navio "Aquitaine" foi um vapor francês de 1988 toneladas, contruído pela SGTM (Sunderland Shipbuilding Co.) da Inglaterra a pedido da Société Générale de Transports Maritimes a Vapeur de Marseille.
Este navio fazia a linha entre Europa - América do Sul, mais precisamente saia de Marseilles (França) e provavelmente passava em Genova (Itália) para pegar mais passageiros, depois mais uma parada em Valencia (Espanha) e só depois seguia para a América do Sul com destinos finais: Rio de Janeiro, Santos (Brasil) e Buenos Aires (Argentina). O Navio apesar de ser a vapor, possuía 2 mastros e uma chaminé e tinha uma velocidade média de 12,5 nós marítimos. Em 1908 foi comprado pela France-Amerique Line e depois afundado na França em 1927.


Esta longa viagem no vapor me lembrou muito um filme chamado "Nuovomondo" que retrata a imigração italiana para os Estados Unidos desde a pobreza em terras italianas até o desembarque na América, mostrando fielmente como a viagem é terrivelmente desagradavel e desgastante.

Os aventureiros ficavam muitas vezes expremidos nos porões dos navios em pequenas camas, sem espaço, sem luz, sem janelas, rodeados de ratos, adoecendo e infelizmente padecendo, muitos não chegando a tão esperado destino final. Muito bom este filme, vale a pena assistir.
Filme: Nuovomondo (2006)

Logo após o desembarque no porto de Santos, meus ascendentes italianos pegaram o trem da São Paulo Railway que fazia linha de Santos a Jundiaí, porém, no meio do caminho, desceram no Brás para se identificarem na Hospedaria (atual Memorial do Imigrante), onde ficariam de 3 a 6 dias para fazer o cadastro de imigração, contrato de trabalho para trabalhar nas fazendas de café, tomar banho, fazer exames, tratar os dentes e cortar o cabelo para depois seguirem adiante.

De acordo com algumas fontes e parentes, meu bisavô acabou indo pra Sousas trabalhar nas lavouras de café, muito perto de Campinas e depois de alguns anos foram para São Caetano do Sul para trabalhar em uma olaria.
Pois é, a saga continua...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

História da Famiglia Della Negra - parte II

Ahhhaaaah! Meu filho acabou de nascer! Bruno Della Negra, dia 22 de agosto de 2008, bonitão, com 2 semanas e já tem cara de moleque, nasceu com 3,700 kg e 51 cm, às 16h56min. **

Em comemoração a este novo membro da família, continuarei a contar aqui a história da italianada que chegou no porto de Santos pra trabalhar em São Paulo e que trouxe o sobrenome que ele levará pelo resto de sua vida.


Veja aqui a primeira parte desta história - História da Famiglia Della Negra

Depois de conseguir alguns indícios da origem da família, decidir fazer a viagem a Europa, não só para conhecer a Itália, mas aproveitar e conhecer a Espanha, já que também tenho sangue espanhol por parte de mãe. Impressionante como apesar de ser mais espanhol do que italiano, sou neto de espanhois e bisneto de italianos, o sobrenome que carrego me faz muito mais italiano do que espanhol, no meu caso, o sobrenome define muito mais a minha origem do que o meu sangue.

Minha idéia inicial era chegar em Madrid e de lá alugar um carro para ir até Roma, passando por várias cidades da Espanha, França e Itália.
Foi o que fizemos, 30 dias conhecendo cidades dos 3 países: Na Espanha: Madrid, Toledo, Segovia, Sevilla, Granada, Almeria, Peniscola, Valencia, Barcelona. Na França: Avignon e Mônaco. Na Itália: Castell' Arquato, Verona, Montecchio Maggiore, Arzignano, Venezia, Firenze, Greve in Chianti, San Giminiano, Siena, Montalcino e Roma.

A viagem simplesmente foi maravilhosa, perfeita em cada detalhe de cada lugar que conhecemos, mas quero contar um pouco mais de um lugar especial e que faz parte da minha história: Montecchio Maggiore, uma cidade muito pequena que fica próximo de Vicenza e de Verona.

Ao chegar em Montecchio Maggiore, a primeira coisa foi procurar um local para dormir, algo que fosse barato para passar apenas uma noite. Achamos uma pensão com um restaurante em baixo por 50 euros para o casal com café da manhã, e ficamos por lá.

Como toda cidade pequena da Itália, é muito tranquila sossegada, muitos poucos carros na rua e uma pequena praça central com uma bela igreja que tem uma torre de sino muito alta.

Por incrível que pareça, esta cidade é conhecida na Itália por causa da história do Romeo e Giulietta.

Existem 2 castelos medievais ficam um do lado do outro no topo de 2 montanhas, Um deles é o castelo dos Montecchio e o outro castelo é dos Capulettos, do nosso quarto dava para ver os dois, a imagem é realmente impressionante, parece que colocaram os castelos lá de com a mão.

Dizem por lá que estas 2 famílias realmente existiram e a história de William Shakespeare é verdadeira. Aliás é um insulto se você desconfiar da autencidade dessa história em Montecchio Maggiore. Diferente de como é conhecido, não é em Verona o verdadeiro lugar da história dos dois amantes. Em Verona apenas existe a Casa di Giulietta, mas é em Montecchio Maggiore que ficam os castelos das 2 famílias inimigas.





Mais legal ainda é que dentro destes castelos são feitos alguns eventos que toda a cidade comparece, por exemplo, quando estavamos por lá, estavam passando algumas sessões de cinema a céu aberto dentro do Castello di Romeo. Além de cinema, os castelos abrigam peças de teatro e algumas festas locais. Em uma das noites que passamos lá, fomos jantar no restaurante que fica dentro do Castello di Giulietta, maravilhoso e caro, mas vale a pena pelo clima de romance que paira no ar, restaurante que funciona só a noite e que depois vira uma balada, muito frequentada pelos moradores.

Bom, mas o meu principal objetivo de estar lá não era conhecer os castelos e sim ir até a Comune di Montecchio Maggiore para tentar procurar a certidão de nascimento do meu bisavô, Giuseppe Della Negra, que poderia ter nascido lá, já que seu irmão nasceu.

Fui até a prefeitura e entreguei um papel com um pedido formal a comune solicitando o documento e protocolei o pedido, foi o máximo que consegui lá. Havia uma fila de pessoas tentando protocolar outros documentos, não iria gastar meu tempo em filas na Itália, mas consegui pelo menos o protocolo.

Outra tentativa minha foi buscar na igreja principal da cidade o livro de batismo da década de 1890 para tentar buscar o nome dele, mas entrei na igreja sozinho, não havia ninguem dentro, procurei o padre naquele ambiente sombrio e aquele silêncio mórbido e não consegui encontrar nenhum ser vivo, acho que nem os mortos estavam por lá.

Fiquei um pouco decepcionado por não conseguir nada além de um documento protocolado e uma boa impressão da cidade, nenhuma certidão, nenhuma dica a mais. Sentei em um café ao lado da igreja e fiquei ali olhando aquela cidade pacata, aquele silêncio, e agora?

Depois de 1 dia e meio na cidade decidimos seguir viagem, mas antes queria checar uma coisinha ali perto.
Dirigi por quase 20 KM até chegar em Arzignano por um caminho lindo, uma estradinha pequena e cheia de vinícolas. Decidi passar por lá pois tinha ficado muito curioso sobre o texto de uma casa de veraneio que fica lá.

Veja aqui o texto que eu traduzi e a primeira parte desta história - História da Famiglia Della Negra

Chegando em Arzignano, liguei de um orelhão para o dono da casa que consegui na internet. Logo fui contando a história a ele sobre a minha vontade de conhecer a casa. Ele ficou impressionado por saber que um Della Negra vindo do Brasil havia acabado de ligar pra ele em Arzignano.

Meu italiano não era tão afiado, mas deu pra explicar exatamente o que eu queria.
Em 15 minutos, depois da explicação de como chegar lá, fomos até a casa para conhece-lo.

O nome dele é Gustavo Mistrorigo, ele é um velhinho desajeitado que cultiva uva no terreno da casa. A casa é enorme e bem antiga, com móveis antigos por todo o lado, mesas de madeira maciça e tem até um fogão à lenha na cozinha.


Parecia que eu estava no século XVII, a casa muito bem cuidada tinha alguns artefatos que pareciam de um museu.
No porão da casa ficava um tonel gigante de carvalho e os equipamentos para fazer o vinho que ele mesmo fazia com as uvas que plantava e colhia no quintal. O tonel devia ter a capacidade de uns 500 litros, ele disse que o tonel foi colocado lá no porão antes de contruírem a casa, fazia sentido, porque não havia como passar aquele tonel gigantesco pela porta.

Papo vai, papo vem, com ele e a mulher dele, tomando um vinho branco espumante de sua própria fabricação, fiquei sabendo que a família Della Negra foi uma família nobre naquela região e que tiveram muitas posses. Hoje em dia ele não conhece mais ninguém da família, desde quando a família Mistrorigo tomou posse daquela casa que ele não ouve falar de um Della Negra.

Inclusive, na história que ele conta naquele texto da Internet e que seus avós contaram para ele, a família Della Negra havia sido extinta por uma maldição da igreja, por isso o espanto dele quando eu liguei e disse que era um Della Negra vindo do Brasil!

Ficamos conversando por algumas horas, ele curioso sobre o Brasil e como os Della Negras haviam chegado tão longe, e eu louco para saber mais da minha família.

O casal de velhos ficou tão espantado que pediu para tirar algumas cópias dos documentos do meu avô e do brasão da família, ele queria deixar lá guardado de recordação, uma prova viva de que a família não havia sido extinta, histórias da inquisição.
Dava pra ver o espanto nos olhos do casal, acho que até hoje eles não entenderam nada do que aconteceu naquele dia, o casal de velhinhos da pacata cidade de Arzignano estava simplesmente atônitos com a minha história e de como eu encontrara aquela casa.

Eu estava mais espantado ainda, respirando o ar que um dia foi respirado pelos meus antepassados, bebendo o vinho que passara pelo tonel que um dia eles também beberam, incrível!

Aquele dia ficou pra sempre na minha memória, ainda lembro de cada momento, cada minuto que estive lá. Uma experiência que não dá para esquecer nunca mais.

Ainda espero um retorno de Montecchio Maggiore sobre os documentos do meu bisnonno, apesar de querer ter uma prova, algum documento dele, acho que depois dessa viagem, qualquer coisa já é lucro, afinal, eu já havia conhecido muita coisa que nunca imaginei conhecer sobre mim.


---------------------
**Este texto é uma homenagem ao meu filho, Bruno Della Negra, que acabou de nascer e que um dia vai querer descobrir as suas raízes, assim como o seu pai.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

História da Famiglia Della Negra

Depois de conseguir alguns documentos do meu pai e do meu avô, finalmente resolvi investir na busca dos meus ascendentes, lógico que foi bem complicado, principalmente por não existir muitos vestígios, a família acabou se espalhando no Brasil e ninguém sabe onde ficaram os documentos e certidões de nascimentos da italianada que pisou no porto de Santos.

Nos documentos que consegui com alguns familiares não ficava claro saber de onde o meu bisavô veio, de que região da Itália.

Com quase nada em mãos, comecei procurando na Internet. O primeiro indício foi em um site de brasões, consegui achar o brasão da família Della Negra e segundo os documentos deste site http://www.heraldica.com.br, a origem do brasão e da família é da província de Vicenza, na região de Vêneto, na Itália.

Este é o brasão:



Não estava 100% confiante nesta informação, impossível ter uma precisão exata do local, fui atrás de mais informações e fiquei muito curioso ao encontrar está página:
http://www.villecasali.com
É um site que aluga casas na Itália para férias e feriados, segundo o texto da página, esta casa, que um dia foi um convento, esta localizada na cidade de Arzignano e em algum momento pertenceu a família Della Negra.


O texto que eu traduzi para o português está aqui:

O ex-convento é dedicado a Virgem Maria e ainda hoje é rico em história e lenda. Dizem que os muros escondem um bezerro de ouro de época romana.

Santo Bernardino de Siena viveu lá onde ele atraíu uma multidão de pessoas com sua pregação. A igreja foi decorada com famosas pinturas e guarda o sagrado espinho que foi dado por um monge proveniente da Terra Santa.

O espinho é agora guardado na igreja de Castello. As acomodações ainda têm quartos murados da época.

Uma antiga lenda diz que há um túnel subterrâneo que une o convento ao castello, caminho usado para escapar durante as inúmeras batalhas.


As adegas foram um dos palcos para a inquisição.

A família Della Negra, viveu um período amaldiçoado por ter pavimentado estradas e os estábulos com o piso da igreja.

A maldição perseguiu a família e cavalos ficaram sem pernas e a família acabou sendo expulsa.
Em seguida um voto da Santa surge no convento novamente.

O convento foi construído no topo da colina de Arzignano, em 1494. O convento e uma grande igreja foram confiados aos Franciscanos, que transformaram-nas em um esplendido centro de cultura e fé.
Em 1704 o fogo destruiu grande parte do complexo de Santa Maria, que foi reconstruída prontamente.

Para conhecimento do orgulho dos habitantes, uma lápide foi construída para relembrar a pronta reconstrução pelo mérito dos fiéis e ainda pode ser visitada.
O trabalho foi completado em 1715.

Por aproximadamente 100 anos, as atividades pastorais continuaram, mas os tempos eram difíceis e os últimos frades abandonaram o convento com a chegada e das expropriações de Napoleão.


Novamente a propriedade foi da Familia Della Negra. Eles pertenciam a maçonaria e sendo completamente anticleriais, eles destruíram todos os indícios religiosos, grande parte do poder de relembrar a fé e alguns trabalhos de arte.


No ano de 1880, Santa Maria veio a ser propriedade da Família Mistrorigo que transformou em um complexo para passar férias.



Bom, também não sabia se esta história era mesmo verdadeira, aliás bastante melancólica sem falar na maldição familiar, mas ao menos era interessante e trazia mais alguns indícios.
Esta casa está localizada na cidade de Arzignano, Olhando no mapa da Itália, ela fica na comune de Vicenza, que fica na região do Vêneto, pelo menos em relação a localização, estava começando a fazer sentido.

Com mais essa informação, decidir ser cara-de-pau e comecei a mandar emails para a comune de Vicenza. Depois de muitas trocas de emails com o arquivo de Vicenza, descobri que provavelmente o meu bisavô (Giuseppe Della Negra) e o seu irmão (Antonio Della Negra) nasceram em uma cidade chamada Montecchio Maggiore (brasão ao lado) e que fica na provincia de Vicenza, vizinha de Arzignano, isso de acordo com um documento que continha registros do alistamento militar.

Este foi o texto do documento:

abbiamo trovato solo un Dalla Negra Antonio che è figlio di Giovanni e di Teresa Spirea nato a Montecchio Maggiore il 15 ottobre del 1877. Potrebbe essere un fratello.


Isso significa que eles acharam um Antonio Dalla Negra, filho de Giovanni e de Teresa Spirea, que é provavelmente irmão de Giuseppe Della Negra. O sobrenome pode sofrer variações, ou erros de digitações, muito comuns nos registros da época.
Giovanni Della Negra foi o meu tataravô, que desembarcou no porto de Santos com o meu bisavô, seu filho, mais 2 filhos e a sua mulher, Teresa.


Localização da cidade Montecchio Maggiore no mapa da Itália


Estas informações do desembarque no porto de Santos, consegui no Memorial do Imigrante, aqui em São Paulo, com data e nome do navio que eles chegaram.
http://www.memorialdoimigrante.org.br
No site existe uma busca por sobrenome que é fácil descobrir se eles passaram por lá ou não. Esta é a página com os dados da minha família: Busca Della Negra

Depois disso, só indo para a Itália mesmo para conseguir mais informações e documentos, fiquei muito curioso com o fato de várias informações estarem fazendo sentido até o momento.
Comecei a pensar em realmente pisar na Itália pela primeira vez.
Motivo e vontade eu já tinha, faltava disponibilidade: tempo + dinheiro.
Será que eu estava pronto?

São Paulo poderia ficar sem mim durante 30 dias? E o meu trabalho? Quem poderia cuidar das minhas coisas, dos meus projetos?
Pois é, esse é o típico pensamento de um paulista.


Veja aqui a segunda parte deste texto - História da Famiglia Della Negra - parte II


---------------------
Este texto é uma homenagem ao meu futuro filho, Bruno Della Negra, que esta chegando a este mundo em algumas semanas e que um dia vai querer descobrir as suas raízes, assim como o seu pai.