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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Curiosidades sobre a pizza paulista

A pizza é, sem dúvida, o alimento preferido dos paulistas. Estima-se que o consumo diário no Brasil seja de 1,8 milhão de pizzas, sendo o Estado de São Paulo responsável por 53% de todo este consumo.


CONSUMO:
Para o paulistano, qualquer dia é dia de pizza! Na cidade de São Paulo, apenas 30% dos habitantes não consomem pizzas. O consumo médio mensal por habitante é de 7 unidades por mês.
Segundo pesquisa, esta é a "pizza" de sabores preferidos dos paulistanos:
  • 35% - Mozzarela 
  • 25% - Calabresa 
  • 22% - Margherita 
  • 18% - outras 
Preço médio - R$ 36,00
Preço mais caro entre - R$ 80,00 - 90,00

Eventos que aumentam pedidos via delivery:
  • Partida de futebol – aumento de 42% nos pedidos 
  • Feriados – aumento de 25% nos pedidos 
  • Dias chuvosos – aumento de 20% nos pedidos 
  • Episódios importantes em novelas e séries de TV – aumento de 13% nos pedidos 
  • Em dezembro (epoca de festas) - aumento de 15% nos pedidos

ESTABELECIMENTOS:
São mais de 12 mil pizzarias no Estado de São Paulo, faturamento anual de R$ 5 bilhões e mais de 170 mil pessoas empregadas no setor.

As pizzarias paulistas estão divididos em 3 tipos:
  • 50% - apenas delivery 
  • 44% - delivery + salão 
  •  6% - apenas salão 
Uma pizzaria delivery vende em média 1.600 pizzas por mês. Já um estabelecimento que entrega o produto na casa do cliente e serve no local comercializa 2.700 unidades. As pizzarias especializadas apenas em servir no restaurante vendem em média 3.900.


 FONTES: Hellfood, ECD e Pizzarias Unidas

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Receita fermento natural biológico pasta madre

Depois que mudei para um apartamento, deixei de ter meu forno de pizza a lenha por perto e isso acabou diminuindo bem a quantidade que eu fazia pizza em casa.

Continuo fazendo na minha sogra, mas não com tanta frequência. Resolvi voltar de vez com o meu hobby gastronômico, já estou pesquisando como colocar um forno a lenha na minha varanda.
Porem o assunto aqui é outro, resolvi investir em minha própria pasta madre, fermento biológico natural feito em casa.

Muita gente usa a pasta madre em pães e massas caseiras, existem restaurantes, pizzarias que tem a pasta madre a anos. Na Italia é comum a pasta madre passar de geração para geração, parece que quanto mais antiga, melhor ela fica.

Achei um video na web que mostra um passo a passo, muito simples. Na verdade achei muito mais simples do que eu imaginei.

RECEITA:
  •  100g de farinha 
  • 100g de agua (sem cloro) 

Em um vidro que deve ficar fechado fora da geladeira, misture bem os ingredientes e deixe 24 horas descansando. No dia seguinte, jogue fora metade da mistura e acrescente
  • 50g de farinha 
  • 50g de agua (sem cloro) 
Misture bem os ingredientes e deixe 24 horas descansando. No dia seguinte a mesma coisa e repita por 10 dias.

O video da explicação é esse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=5wqGd6d1F0s


Uma coisa que fazendo em casa descobri. A medida dessa receita, principalmente da agua, não esta muito bem equalizada, isso porque colocando o tanto de agua que ele fala, a pasta fica muito mole e depois a agua sobe para a superfície.

No segundo dia descobri isso e diminui a quantidade de agua, deixando a massa mais pastosa.

Essa foto aqui do lado foi tirada no dia 3, e já dá pra ver uma cultura de bacterias bem interessante.

Estou senguindo o cronograma e no fim dessa semana já terei o fermento feito, depois é só testar.

Quero primeiro testar em um pão e depois faço a massa de pizza.


Esta imagem abaixo é do dia 10 e já dá para ver como a cultura esta bem homogênea. Experimento concluído, agora é só fazer a primeira massa!





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Marcato Atlas macchina per pasta

Semana passada cheguei em casa e não sei que me deu na cabeça, resolvi fazer massa pra pasta caseira.
Tinha visto que a receita é super simples (ovos e farinha) e meti a mão na massa.
Os meus filhos me ajudaram a fazer a bagunça na cozinha e valeu a pena ver eles curtindo e aprendendo a fazer, cerca de 500g de massa, que deu pra muita coisa.

Tínhamos na geladeira frango desfiado já temperado e aproveitei pra rechear as massas.
Acabei fazendo capeletti e um tortelli meia lua, mesmo abrindo a massa no rolo, gostei bastante do resultado.





Depois dessa experiência bem sucedida, minha mulher resolver procurar uma maquina de fazer pasta, tem varias no mercado, mas a melhor é a italiana Marcato.
O problema é que ela custa bem caro e a ideia não era de gastar tanto dinheiro agora.
Foi ai que ela lembrou que sua avó, que hoje não cozinha mais, tinha uma dessas para fazer pastel e quando fomos a cada dela, resolvemos procurar a maquina.
Adivinhem..
Não só ela tinha uma Marcato, como um dos melhores modelos em ótimas condições e muito pouco usada. Tanto é que até hoje tem o selo de compra do falido Mappin na caixa.









Bom, depois dessa raridade encontrada, vou precisar fazer uma pasta caseira de verdade, já até comprei uma farinha italiana de grano duro, agora fazer uma vero pasta fatta a mano

Ci vediamo!

terça-feira, 18 de março de 2014

Il Piatto pasta artigianale rotisseria empório e restaurante


Definitivamente comer uma boa pasta por um bom preço, só em mezzo roticceria e mezzo ristorante.
Minha teoria é que eles ganham dos 2 lados e dessa forma tem como praticar um ótimos preços. O que vai para a rotisseria e não é vendido, eles usam no restaurante (antes do vencimento) no piatto del giorno. Simples assim.

Não sei se essa é a formula do Il Piatto, um lugar relativamente novo no Brooklin situado em um local bem movimentado do bairro (quase esquina da Guaraiuva com a Padre Antonio), mas que traz uma certa tranquilidade ao sentar em uma das cerca de 10 mesas do restaurante.
Alem do restaurante, a rotisseria e o emporio estão ali no balcão para quem quiser levar uma de suas massas artesanais, molhos, azeites, antipasti e etc.

O lugar é bem tranquilo, guardanapo de pano (essencial!!), oferecem vinho em taça e no menu todo dia tem o "piatto del giorno" por um bom preço para os padrões de São Paulo: R$ 36,50 por uma entrada, primo piatto, secondo piatto e sobremesa.
Caso você não goste do prato do dia, vá para as opções de pastas e carnes. Não é um cardápio complexo e nem fantástico, ideal para almoço executivo.

Já fui tres vezes para almoçar no local e uma delas levei pra casa um ravioli recheado de brie e zucchine, que ficou ótimo com molho triplo burro :-)
Vale a pena experimentar, quem estiver no brooklin

http://www.ilpiattomassas.com.br/
End.
Rua Guaraiúva, 776 – Brooklin - SP
Fones:(11) 2359.4988 / 2359.4927
contato@ilpiattomassas.com.br


sexta-feira, 1 de março de 2013

Agnolotti Piemontesi em São Paulo

Quer conhecer uma típica pasta piemontese? Aqui em Sampa tem um bom lugar.

 Geralmente vou ao shopping Morumbi para fazer varias coisas ao mesmo tempo na hora do almoço e um dos meus lugares prediletos é o Spaghetti Notte, um restaurante bem tradicional que fica na parte de baixo. 

Os pratos tipicamente italianos geralmente tem uma forte influência do Piemonte, mas tem um pouco de tudo. Não cheguei a provar muita coisa por lá, pois sempre quando vou, peço o mesmo prato... O Agnolotti Piemontese



 Viciei no prato, na verdade. O Agnolotti nada mais é que um tipo de raviollini de carne muito firme e al dente que é regado a um molho "Alla Piemontese" que é um de carne com vinho muito encorpado e bem reduzido, sensacional.

 É uma pasta muito típica do Piemonte, as famílias usam a carne assada do dia anterior, trituram e misturam com outros legumes e temperos para rechear o Agnolotti
O prato não tem nada de sofisticado, mas a combinação é imbatível e irresistível, tanto é que eu deixo de me aventurar em outros pratos para comer sempre o mesmo.

 Apreciem se tiverem por lá, vale a pena.

 PS: Estava pra escrever este post faz um tempinho, mas na correria do dia a dia acabei deixando passar. Na verdade faz um bom tempo que não escrevo, esse negócio de microblog, redes sociais acaba tirando o fôlego de qualquer um.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Culinária da Emilia-Romagna com vinhos do piemonte


Mais uma viagem sensacional pela Europa, cerca de 8 dias na Espanha e 22 dias na Itália, onde aproveitei o tempo para dar entrada na cidadania italiana.

Obviamente que foram muitas cidades, e em cada uma delas, tenho milhares de coisas para contar, porém neste post, vou contar uma experiência gastrônomica única que valeu cada um dos 160 euros que gastei.

Passamos por várias cidades na Itália: Milano, Torino, Alba, La Morra, Barbaresco, Barolo, Serralunga D'Alba, Genova, Portofino, Monterosso Al Mare, Santa Margherita di Liguria, Lucca, Bologna, Parma, Sirmione, Brescia, Iseo, Bergamo e Como. Come-se muito bem em qualquer uma dessas comunes, mas em uma delas, talvez a menor, aproveitamos um festival gastronômico em uma vinícola para conhecer a culinária da emilia-romagna regada a vinhos piemonteses.

Tudo começou logo depois de deixar Torino, como planejado, passamos por Alba para escolher um Hotel, conhecer o local e depois as vinícolas da região. Ao dar as primeiras voltas, percebemos que era uma cidade sem graça, apesar de ser uma das maiores do Vale Langhe, região vinícola do Piemonte.

Essa é a vantagem de não reservar hotel em todas as cidades que você pretende visitar, com um carro alugado em mãos, você pode mudar de planos sem problemas. Desistindo de ficar em Alba, decidimos procurar uma cidade menor que tivesse vinhedos por todos os lados, passamos por várias, pois todas elas ficam entre 10 e 15 Kilometros uma das outras, mas como foi escurecendo, decidimos pegar qualquer uma delas por ali mesmo.

Decidimos então ficar em Serralunga D'alba, uma cidade minúscula que tem um castelo medieval e uma grande vinícola, Tenuta Fontanafredda, muito conhecida pelos complexos Barolos que faz e talvez uma das maiores de todo o Piemonte.

Foto: Serralunga D'alba (Vale Langhe - Piemonte)

Antes de embarcar para a europa, já havia olhado algumas coisas para fazer no Vale Langhe, e umas das que me chamaram atenção foi um festival gastronômico feito por esta vinícola em comemoração ao aniversário de 150 anos da republica italiana. Um festival que contava com um chef italiano diferente a cada semana - Osterie Unite D'Italia: le Cene e i Pranzi delle migliori osterie d'Italia.

Já em Serralunga D'Alba, uma cidade que pode ser conhecida a pé em 20 minutos, o que realmente valeu mesmo foi conhecer a Tenuta Fontanafredda e o festival gastronômico. Primeira coisa foi fazer a prenatazione para o jantar daquela noite: $58,00 euros por cabeça. E ai?? Caro??? Eu também achei, mas depois que fiquei sabendo do menu de degustação, o local e de como seria o jantar, achei até barato.

O evento estava marcado para as 20hs, o sol ainda estava firme e forte. De carro até o local não gastamos mais do que 5 minutos. Saímos cedo e chegamos bem na hora dos antepastos que estavam sendo servidos em uma antesala. Enquanto saboreávamos salaminos, cassoncinis e frittatines, foram sendo abertas as primeiras garafas de vinhos, todas da própria tenuta.

Éramos em um grupo de 20 pessoas no máximo contando com um enólogo da tenuta, o chef e um assistente, maitre e 3 garçons. Todos foram apresentados ali de pé mesmo com as taças na mão sem muita frescura. Depois de 6 ou 7 garrafas degustadas, fomos convidados a nos sentar às 6 mesas redondas disponíveis em um outro salão pequeno e pouco iluminado com uma decoração rústica com móveis antigos, tijolos à vista e uma enorme cozinha aberta, aquela tipo ilha, onde o chef iria fazer os pratos ali mesmo na nossa frente.

O maitre apresentou o chef desta semana chamado Massimiliano do restaurante La Sangiovesa. A cada semana, eles estavam trazendo um chef de cada região italiana e a daquela semana era da Emilia-Romagna, quase centro da Itália, conhecida região do molho a bolognesa e da autêntica Lasagna.

Lógico que não vou contar prato a prato, vinho a vinho, mas só para ter ideia do tamanho do menu, foram ao todo 4 pratos degustação, mais sobremesa e cada prato era harmonizado com um vinho da produção deles, começando pelos mais leves como o Dolceto d'alba e um espumante brut, depois o médio Nebbiolo D'alba e o último mais encorpado e complexo de todos o Barolo e pra finalizar, para a sobremesa, bebemos um Barolo chinato, que é um vinho doce para acompanhar as desserts. Não sei como não engordei nesta viagem :-)

A cada prato, o maitre explicava sobre a harmonização do conjunto e o enólogo servia os vinhos mesa a mesa contando um pouco mais de cada um. Além de comemorar os 150 anos da república italiana, a intenção desse festival é fazer com que você tenha uma ótima experiência e conheça os vinhos da Fontanafredda para depois comprá-los. Foi o que eu fiz.

Bom, vou transcrever aqui abaixo o menu completo e postar algumas foto.
E Viva a Italia!





Menu*


Antipasti

- Cassoncini alle erbe di campo
- Salamino di maiale con la piada
- Frittatine miste al vegetale
- Porchetta tradizionale

Piatti

- Tortino di formaggio squacquerone con verdure in giardiniera e crema di rucola
- Arrostino di faraona farcita al tartufo nero, con crema di patate e piselli
- Lasagne verdi al forno come vuole la tradizione in Romagna
- Coppa di Mora romagnola con purea di sedano rapa e asparagi croccanti

Dessert

- Il nostro gelato alla crema e cannella variegato alla Saba e croccante alle mandorle

Vini

- La Lepre Dolcetto di Diano d'Alba Fontanafredda
- Vigna Gatinera Brut Alta Langa Fontanafredda
- Mirafiore Langhe Nebbiolo Fontanafredda
- Paiagallo Vigna La Villa Barolo Fontanafredda
- Barolo chinato Fontanafredda


* Coloquei algumas palavras traduzidas nos comentários deste post
















terça-feira, 23 de março de 2010

Receita original do molho à bolonhesa

Você sempre achou que fazer aquela macarronada à bolonhesa no domingão com a família era a opção mais simples de almoço?

Bom, aqui no Brasil pode ser, mas em Bologna na Italia é bem mais complexo.

O molho bolognesa que fazemos no Brasil e em alguns outros países, não é nem de perto como é originalmente feito na Itália, mais precisamente na cidade de Bologna, onde foi criado o ragù alla bolognese, nome original em italiano do nosso molho à bolonhesa.

Segundo os próprios bologneses, o molho vêm sido alterado e simplificado por anos e hoje apenas leva dois ingredientes da receita original italiana. A maioria das pessoas faz o molho bolonhesa com carne moída, alguns temperos (alho e cebola) e molho de tomate ao sugo (sem pedaços).

Pois bem, a primeira surpresa em relação a receita original é que a massa recomendada para acompanhar o molho é o tagliatelle e não o spaghetti como geralmente usamos.

Outra diferença é que o molho original leva leite. Madonna!!! Agora que a macarronada da nonna foi pro brejo de vez...

Veja aqui abaixo a receita original do molho à bolonhesa italiana:

300 gr Carne moída
50 gr Bacon
50 gr manteiga
2 tomates cortados em pedaços
50 gr cenoura
50 gr cebola
50 gr aipo
50 gr ervas
50 gr alho
1/2 copo de vinho branco
200 gr de leite integral

Modo de preparo:

Doure o bacon na manteiga, depois a cebola e o alho, depois junte a carne e as ervas, cenoura, aipo. Depois da carne refogada, coloque o leite e deixe ferver até reduzir, adicione os tomates e em seguida o vinho. Deixe o molho consistente e pronto. Mangia che te fá bene.

Além dos muitos ingredientes diferentes, até o modo de preparo do prato está errado. Geralmente colocamos o molho em cima do macarrão quando o prato vai à mesa. Pois bem, na receita original, o molho já é misturado à massa dentro da panela, e não no prato.

Esta receita foi patenteada pelos italianos em 1982 e ainda vem sido usada tradicionalmente por lá e em restaurantes de grandes chefs italianos. Segundo os detentores da patente, o molho é feito exclusivamente para ser usado em tagliatelles, portanto esqueça de usar em lasanhas e outras massas.

Veja aqui um video que a BBC produziu sobre o assunto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Brunello di Montalcino safra 1999, enfim dugustado.

Essa semana, com um pouco mais de tempo, conseguimos finalmente comemorar uma série de conquistas e mudanças, resolvemos fazer um jantarzinho na casa nova e abrir um presente que estava guardado há mais de 2 anos esperando por uma bela ocasião.

Meados de julho de 2007, verão na Europa, Eu e mia moglie estávamos em Firenze, obra de arte a céu aberto. De lá resolvemos fazer um caminho pelas vinícolas da toscana por estradelas que são mais demoradas no trajeto, mas que nos possibilitavam parar em cada vinícola para degustar os vinhos.

No caminho fomos de cidade em cidade e de taça em taça passamos por Greve in Chianti, San Giminiano e Montalcino, esta última cittá famosíssima pelo vinho Brunello di Montalcino, e claro que não poderíamos de deixar de provar essas iguarias toscanas e porque não, trazer algumas pro Brasil.

Depois de passar por várias vinícolas, buscando o Brunello perfeito, passamos por uma que realmente chamou a atenção. Paramos o carro naquela área para estacionar coberta de pedregulhos em frente a um casarão feito de pedras ao estilo toscano - nosso sonho de consumo - e fomos até a cantina que ficava no pavimento inferior a uma temperatura que parecia até ter ar condicionado. Pedimos para degustar o Brunello de 1999, a safra que eu estava procurando, já que foi uma das melhores já colhidas na Itália.

Geralmente a pessoa que nos atende, serve o vinho e fica esperando um veredito ali mesmo olhando pra sua cara. Talvez até por um ato de intimidação, as pessoas nem gostam tanto e fazem um OK como se tivessem aprovado o vinho. Mas não foi esse o caso, a pessoa serviu o Brunello e deixou a gente bem a vontade, saindo da sala para fazer outras coisas.
Nesta hora, eu olhei pra Cá e falei: "Bom, né?"

O nome da vinícola é Azienda Agricola Piombaia e além da cantina onde serviam os vinhos, havia uma pequena osteria (L'Osteria la Crocina) onde há pratos típicos da toscana e os vinhos da própria fabricação para acompanhar.

Apesar de termos adorado o vinho, ainda faltavam algumas vinícolas pelo caminho para provarmos. Agradecemos e voltamos para a estrada na busca do Brunello perfeito.

Passamos por mais 2 ou 3 vinícolas, todos os Brunellos de 99 que provamos não chegavam perto daquele que havia deixado aquele aroma intacto na boca.

Não tivemos dúvida, voltamos cerca de 30 KM do nosso trajeto para buscar aquele Brunello e aproveitamos para almoçar na osteria que parecia muito boa e realmente era. Mangiamo una pasta na parte de fora da osteria, em uma parte cercada de vidros, que deixava o ambiente bem ensolarado.

Em 2007, pagamos 30 euros pela Brunello, convertendo pra aqui, seria cerca de 100 reais no Brasil, mas um Brunello di Montalcino da safra de 1999, você dificilmente encontra aqui no Brasil por menos de 200 reais, aliás até mesmo esta safra é difícil de encontrar. Segundo o guia de safras históricas da Itália, melhor que esta só a de 1998, mas a diferença de preço é quase o dobro.

Na página da vinícola, o preço dele hoje esta 40 euros e o de 1998 esta 80 euros

Ao voltar para o Brasil, embalado em plástico bolha e com todo o cuidado do mundo, o vinho ficou em casa desde então, na horizontal, temperatura ambiente e sem luz direta apenas aguardando o momento sublime de ser degustado.

Estávamos ensaiando para abri-lo há um tempão, lógico que teria que ser em uma ocasião especial. A primeira que surgiu foi o nascimento do meu filho Bruno, mas como a patroa não poderia beber nada alcoólico logo após o parto e o fato de ter um bebê recém-nascido em casa não ajudou muito, não seria justo abrir o vinho e não curtir com ela como imaginamos. A comemoração era mais que perfeita, mas não a aproveitaríamos como deveríamos.

Vamos então esperar a próxima ocasião quando o Bruno estiver crescido e o Brunello envelhecido um pouco mais.

A próxima ocasição surgiu 1 ano e 2 meses depois, quando finalmente mudamos para o nosso apartamento que tanto estavamos esperando.

A Cá preparou um risotto alla margueritta (manjeiricão, mozzarela de búfala, tomate e parmesão ralado) acompanhado de carne vermelha pra exigir bastante de um rosso italiano bem encorpado, medalhões de filet mignon.

Colocamos o pequeno Bruno pra dormir e o Brunello finalmente acordou!

Depois de 10 anos ele libertou todo o seu aroma e robustez que estavam presos aguardando o momento certo para explodir em um buquê que dominou o meu paladar.

A cor típica que indica um vinho mais velho, o vermelho alaranjado, trouxe também um pouco de nostalgia como se houvéssemos voltado naquele verão europeu de 2007 quando compramos o vinho na Toscana, parecia que um filme que misturava som, imagens e sabores estava passando em nossas cabeças naquele momento.

O prato combinou perfeitamente com o vinho, nada brigou com nada, uma perfeita harmonia valorizando apenas o jantar em si. Sou suspeito, mas posso dizer que ela tem aprimorado o risotto a cada dia.

O vinho ficou, aquele gosto que persiste na boca, nada comparado aos vinhos leves, jovens e vermelho violeta que tomamos no dia-a-dia, este vinho fica na boca e ficou na mente, assim como aquele momento.

Ma che bella cena!! Mangiamo troppo!
Grazie a Dio!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Saltimboca alla Romana com Chianti Classico direto da Toscana


No começo de dezembro foi o aniversário da minha patroa, e como estávamos sem tempo de sair, por causa do filhote, resolvemos fazer um jantarzinho em casa, nem por isso fizemos qualquer coisa, resolvemos aproveitar a data especial para fazer um prato diferente e tomar aquele vinho...aquele que estou guardando desde a viagem à Itália depois de ter sobrevivido dentro da mala de volta ao Brasil.

Pois bem, resolvi fazer um prato chamado Saltimboca alla Romana e para acompanhar comprei uma massa recheada para servir com molho de tomate em pedaços. Para este prato resolvemos abrir o nosso chianti clássico, um Rocca delle Macìe chamado Tenuta Sant'Alfonso, que compramos quando visitamos o local na toscana, por sinal, uma bela vinícola.

Em Firenze, conhecemos e ficamos amigo do gerente do hotel que ficamos hospedados, Mauro Betti, que nos indicou alguns ótimos locais e ótimos restaurantes da cidade. Além de ter nos presenteado com um belissímo azeite fabricado pela sua família, também nos indicou algumas vinícolas da toscana para visitar, entre elas a Rocca delle Macìe.

Seguindo os conselhos do nosso amigo italiano, dirigirmos por uma estradela pitoresca da toscana parando de vinícola em vinícola para degustar e comprar alguns vinhos. Depois de passar a cidade de Greve in Chianti, encontramos a vinícola indicada, uma das mais bonitas da região.

Fomos muito bem atendidos pela especialista de vinhos que nos apresentou uma grande variedade da bebida santa, aproveitamos então para degustar alguns vinhos com um casal belga que encontramos lá no local e logo fomos perguntando sobre um dos vinhos que nosso amigo nos sugeriu, o Tenuta Sant'Alfonso, que ele disse que era um dos melhores chiantis da região.

Degustamos e compramos uma garrafa, que guardamos e embalamos com muito cuidado na mala para não quebrar durante a viagem. Engraçado foi ter visto na prateleira desta vinícola um vinho brasileiro da marca Rio Sol, que pertence a Expand, loja muito conhecida no Brasil. Pelo que a especialista me falou, a Expand é parceira da Rocca fazendo assim intercâmbio de vinhos entre os dois países.

Depois de tanto provar vinhos, precisávamos de um belo almoço, perguntamos para a especialista em vinhos se havia algum lugar próximo para almoçarmos, ela sugeriu o restaurante da própria vinícola que ficava à 4 Km de lá.

Seguindo os conselhos da moça, pegamos a estradela novamente, entramos em uma estrada menor ainda de terra batida que nos levou até a entrada da propriedade. Continuando o caminho, começamos a ver os imensos vinhedos e no alto da colina uma contrução de pedra, bem típica daquela região. O complexo na verdade era uma mistura de restaurante e pousada para os amantes dos vinhos da toscana, tinha até uma piscina para hóspedes. Apesar de ser da vínicola, a pousada tinha um nome próprio - Riserva di Fizzano.

Estacionamos o carro no local e fomos até o restaurante, debaixo daquele sol muito forte do verão italiano, sentamos debaixo dos enormes ombrelones, onde estavam servindo alguns clientes.
Pedimos um belíssimo vinho branco chamado Occhio a Vento, com tons de maracujá, que lembro até hoje. Não lembro do prato que comemos lá, mas do vinho e do lugar não me esquecerei tão cedo.

Bom, voltando ao jantar de aniversário, ficou realmente muito bom, modéstia à parte, os filés com camadas de presunto cru e de folhas de sálvia lembravam um pouco daquele ar italiano que respirávamos com prazer. Com o vinho Tenuta ficou ainda melhor, um vinho bem estruturado e forte, característico de um bom chianti clássico.

Além de degustar aquele jantar maravilhoso, do lado da mãe do ano, foi ótimo recordar novamente essas histórias que passamos juntos naquela viagem à Europa e lembrar que uma grande viagem é construída por ótimos conselhos.


Receita - Saltimboca alla romana

6 escalopinhos de filé mignon
10-15 sálvias em folhas picada
100ml de vinho branco
15ml de azeite
farinha de trigo
sal e pimenta do reino
15g de manteiga
100ml de caldo de carne ou legumes
100g de presunto cru em fatias finas

Espalhar a sálvia em um dos lados do escalope e cobrir com uma fatia de presunto, aperte bem para que o presunto se prenda ao escalope. Do lado oposto, tempere com sal e pimenta do reino, passe farinha e frite-os rapidamente (começando pelo lado do presunto) de ambos os lados em uma frigideira com azeite e manteiga, depois de fritos juntar o vinho ao molho que sobrou, deixar reduzir e colocar os escalopinhos no prato e regá-los com o molho.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sardela - Italiana ou Brasileira? (Receita original)


Um dos Antipasti que mais gosto, é a famosa Sardela passada em um pão italiano, boa opção pra começar bem o almoço.

Mas afinal, essa Sardela que conhecemos e adoramos é italiana ou brasileira?

Bom, Sardela ou Sardine: em italiano significa sardinha, que é a base de preparo do antipasto, porém na Itália não há nehuma receita com este nome.
A sardela é uma espécie de pasta que, além do peixe, leva também azeite, pimentão, tomate, pimenta e outros temperos.

Existe uma receita bem parecida na Itália, originaria da Calábria, que leva anchovas recém-nascidas, chamadas de "bianchetti" que são curtidas dentro vidros por muito tempo em salmoura e misturadas com pimenta preta, pimentões e azeite, conhecida como Murstica, ou também como Caviar Calabrese "Calabrese caviar" ou Rosamarina

Provavelmente o que realmente aconteceu, foi que com a chegada dos Italianos em São Paulo, muitas das receitas originais acabaram sendo mudadas por causa dos ingredientes, era muito difícil ou até mesmo impossível achar os verdadeiros ingredientes Italianos aqui no Brasil, ainda mais naquela época. Isso aconteceu com vários pratos Italianos que hoje são feitos no Brasil com ingredientes substituídos, um certo movimento de tropicalização dos pratos. Por exemplo, aqui no Brasil o molho Pesto é feito com amêndoas e não com o Pinoli, o ingrediente original.

Teoricamente, isso foi o que aconteceu também com a Sardela, ela foi adaptada da receita original de Murstica da Calábria, substituindo-se o peixe Bianchetti pela Sardinha, muito mais fácil de encontrar e muito mais barato aqui no Brasil, sendo assim, rebatizaram o antipasto com o nome do ingrediente principal em italiano - Sardela.

Provavelmente a explicação definitiva para a origem da Sardela nunca será revelada, mas uma coisa é certa: esta mistura tipicamente mediterrânea que foi levada por Árabes para a Calábria há centenas de anos e depois trazida por Italianos para o Brasil, definitivamente é mezza italiana e mezza brasiliana.

Receita de Sardela (Original)

Ingredientes:
5 pimentões vermelhos em conserva
3/4 xic. de azeite de oliva extra virgem
1 lata de aliche sem pele e sem espinhas conservada no azeite (aprox. 125gr)
1 pimenta dedo de moça
1 pitada de sementes de erva doce

Modo de Fazer:
Bata tudo no liqüidificador ou processador (sem o aliche), coloque numa panela duas horas de fogo, para o pimentão atingir seu ponto, depois disso desligue o fogo e coloque o aliche. Deixe esfriar e leve a geladeira. Sirva após 2 horas.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pizza em casa é coisa de paulista

Eu sou viciado em pizzas, tenho que assumir. Tão viciado que acabei construindo um forno de pizza no meu pequeno quintal, quase ocupando metade dele.


Será que é mania de paulista?
Em São Paulo são consumidas quarenta mil pizzas por hora, quase um milhão por dia, isso só na capital paulista, com esses números, São Paulo ocupa o segundo lugar no ranking das cidades que mais consomem pizzas, perdendo apenas para Nova York.

Quando eu era pequeno me lembro claramente dos sábados com a minha família em casa, o programa era sempre o mesmo: fazer pizza em casa e assistir um filme no vídeo-cassete, um dos primeiros comprados em todo o bairro.

Minha mãe no sábado de manhã fazia a seu roteiro em busca dos ingredientes para o preparo e dava uma passada na locadora do bairro para alugar alguns filmes.

Meu pai começava os trabalhos no fim da tarde, deixava o forno à gás esquentando minutos antes, preparava os ingredientes comprados pela mamma e começava a cortar o tomate para o preparo do molho, que ele fazia com tomate comum, com pele mesmo, jogava no liquidificador com um pouco de água e sal, batia até virar uma pasta que ele deixava descansando.
Depois começava a mistura dos ingredientes, a especialidade dele era a pizza de atum com milho e mussarela, abria todos os enlatados, deixava escorrer a água, depois em um vasilhame, ele misturava o milho, o atum, cebola bem picada e salsinha.

A massa não era feita em casa, mas ela era caseira, minha mãe comprava uma massa no supermercado que não era industrializada, semi-assada e fina, não ficava igual da pizzaria, pois não era fresca, mas dava pro gasto.

O molho era peneirado e passado na massa, que ficava em uma forma de alumínio. Depois ia direto ao forno sem recheio, apenas para secar um pouco o molho. Ele fazia isso para não deixar a massa molhada, isso acontece porque o forno convencional não chega na temperatura ideal.

Depois disso ele tirava do forno e recheava com o atum e milho, que às vezes eu roubava algumas garfadas pra comer. Depois do recheio ele cobria com mussarela, muita mussarela em fatias, e lá ia para o forno de novo, dessa vez para assar de verdade com o recheio. A pizza ficava lá quase uns 20 minutos para assar direito, depois colocava um pouco de orégano e era só comer.
Admito que não era a melhor pizza do mundo, mas era divertido ajudar ele a fazer as redondas na pia lá de casa, com o que tínhamos, até que ficava bem feitinha, mas a massa caseira ficava um pouco crocante de mais.

Vários anos depois, tentei aprimorar a técnica do meu pai e comecei tentando algo um pouco mais profissional, juntei alguns trocados e mandei fazer o forno a lenha no quintal, comprei uma pá, lenha, peguei uma boa receita de massa e caprichei nos ingredientes. Decidi que queria fazer direito, não que meu pai fizesse errado, mas ele fazia do jeito dele sem muito aparato, bem caseiro mesmo, não como é feito em pizzarias.

Bom, a grande diferença mesmo era o forno a lenha, que atinge a temperatura correta para assar a massa crua, isso era fundamental para a consistência da massa, que é uma das coisas mais difíceis de fazer, pois você precisa sovar na mão a farinha com água e fermento até e achar o ponto certo para ela crescer e não ficar dura.

Outra diferença é o molho de tomate, pois hoje eu compro tomate pelado, corto bem e mando pra panela pra cozinhar alho picado e sal. O restante é simples e parecido com o que ele fazia, com a diferença de não precisar pré-assar a massa com o molho antes, pois o forno a lenha consegue assar a massa em apenas 2 minutos.

Modestamente, minha pizza é muito boa, sempre que podemos nos reunimos em casa pra comer pizza e tomar vinho com os amigos, principalmente quando está frio. Uma das minhas especialidades é a pizza de abobrinha com queijo tipo polenghi e a margherita com manjericão fresco, mas lógico que não poderia faltar a receita do meu pai, de atum com milho.

Infelizmente, vamos ter que mudar de casa para um apartamento um pouco mais perto do nosso trabalho, para ter essa comodidade, vamos ter que abdicar do forno à lenha em casa.
São Paulo é assim, as pessoas têm que se acomodar o mais perto possível do trabalho para terem mais qualidade de vida, ou você estará fadado a perder um bom tempo no percurso.

Nossa salvação é que a minha sogra fez um forno de pizza na casa dela, no interior de São Paulo.
A tradição familiar vai continuar.