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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Culinária da Emilia-Romagna com vinhos do piemonte


Mais uma viagem sensacional pela Europa, cerca de 8 dias na Espanha e 22 dias na Itália, onde aproveitei o tempo para dar entrada na cidadania italiana.

Obviamente que foram muitas cidades, e em cada uma delas, tenho milhares de coisas para contar, porém neste post, vou contar uma experiência gastrônomica única que valeu cada um dos 160 euros que gastei.

Passamos por várias cidades na Itália: Milano, Torino, Alba, La Morra, Barbaresco, Barolo, Serralunga D'Alba, Genova, Portofino, Monterosso Al Mare, Santa Margherita di Liguria, Lucca, Bologna, Parma, Sirmione, Brescia, Iseo, Bergamo e Como. Come-se muito bem em qualquer uma dessas comunes, mas em uma delas, talvez a menor, aproveitamos um festival gastronômico em uma vinícola para conhecer a culinária da emilia-romagna regada a vinhos piemonteses.

Tudo começou logo depois de deixar Torino, como planejado, passamos por Alba para escolher um Hotel, conhecer o local e depois as vinícolas da região. Ao dar as primeiras voltas, percebemos que era uma cidade sem graça, apesar de ser uma das maiores do Vale Langhe, região vinícola do Piemonte.

Essa é a vantagem de não reservar hotel em todas as cidades que você pretende visitar, com um carro alugado em mãos, você pode mudar de planos sem problemas. Desistindo de ficar em Alba, decidimos procurar uma cidade menor que tivesse vinhedos por todos os lados, passamos por várias, pois todas elas ficam entre 10 e 15 Kilometros uma das outras, mas como foi escurecendo, decidimos pegar qualquer uma delas por ali mesmo.

Decidimos então ficar em Serralunga D'alba, uma cidade minúscula que tem um castelo medieval e uma grande vinícola, Tenuta Fontanafredda, muito conhecida pelos complexos Barolos que faz e talvez uma das maiores de todo o Piemonte.

Foto: Serralunga D'alba (Vale Langhe - Piemonte)

Antes de embarcar para a europa, já havia olhado algumas coisas para fazer no Vale Langhe, e umas das que me chamaram atenção foi um festival gastronômico feito por esta vinícola em comemoração ao aniversário de 150 anos da republica italiana. Um festival que contava com um chef italiano diferente a cada semana - Osterie Unite D'Italia: le Cene e i Pranzi delle migliori osterie d'Italia.

Já em Serralunga D'Alba, uma cidade que pode ser conhecida a pé em 20 minutos, o que realmente valeu mesmo foi conhecer a Tenuta Fontanafredda e o festival gastronômico. Primeira coisa foi fazer a prenatazione para o jantar daquela noite: $58,00 euros por cabeça. E ai?? Caro??? Eu também achei, mas depois que fiquei sabendo do menu de degustação, o local e de como seria o jantar, achei até barato.

O evento estava marcado para as 20hs, o sol ainda estava firme e forte. De carro até o local não gastamos mais do que 5 minutos. Saímos cedo e chegamos bem na hora dos antepastos que estavam sendo servidos em uma antesala. Enquanto saboreávamos salaminos, cassoncinis e frittatines, foram sendo abertas as primeiras garafas de vinhos, todas da própria tenuta.

Éramos em um grupo de 20 pessoas no máximo contando com um enólogo da tenuta, o chef e um assistente, maitre e 3 garçons. Todos foram apresentados ali de pé mesmo com as taças na mão sem muita frescura. Depois de 6 ou 7 garrafas degustadas, fomos convidados a nos sentar às 6 mesas redondas disponíveis em um outro salão pequeno e pouco iluminado com uma decoração rústica com móveis antigos, tijolos à vista e uma enorme cozinha aberta, aquela tipo ilha, onde o chef iria fazer os pratos ali mesmo na nossa frente.

O maitre apresentou o chef desta semana chamado Massimiliano do restaurante La Sangiovesa. A cada semana, eles estavam trazendo um chef de cada região italiana e a daquela semana era da Emilia-Romagna, quase centro da Itália, conhecida região do molho a bolognesa e da autêntica Lasagna.

Lógico que não vou contar prato a prato, vinho a vinho, mas só para ter ideia do tamanho do menu, foram ao todo 4 pratos degustação, mais sobremesa e cada prato era harmonizado com um vinho da produção deles, começando pelos mais leves como o Dolceto d'alba e um espumante brut, depois o médio Nebbiolo D'alba e o último mais encorpado e complexo de todos o Barolo e pra finalizar, para a sobremesa, bebemos um Barolo chinato, que é um vinho doce para acompanhar as desserts. Não sei como não engordei nesta viagem :-)

A cada prato, o maitre explicava sobre a harmonização do conjunto e o enólogo servia os vinhos mesa a mesa contando um pouco mais de cada um. Além de comemorar os 150 anos da república italiana, a intenção desse festival é fazer com que você tenha uma ótima experiência e conheça os vinhos da Fontanafredda para depois comprá-los. Foi o que eu fiz.

Bom, vou transcrever aqui abaixo o menu completo e postar algumas foto.
E Viva a Italia!





Menu*


Antipasti

- Cassoncini alle erbe di campo
- Salamino di maiale con la piada
- Frittatine miste al vegetale
- Porchetta tradizionale

Piatti

- Tortino di formaggio squacquerone con verdure in giardiniera e crema di rucola
- Arrostino di faraona farcita al tartufo nero, con crema di patate e piselli
- Lasagne verdi al forno come vuole la tradizione in Romagna
- Coppa di Mora romagnola con purea di sedano rapa e asparagi croccanti

Dessert

- Il nostro gelato alla crema e cannella variegato alla Saba e croccante alle mandorle

Vini

- La Lepre Dolcetto di Diano d'Alba Fontanafredda
- Vigna Gatinera Brut Alta Langa Fontanafredda
- Mirafiore Langhe Nebbiolo Fontanafredda
- Paiagallo Vigna La Villa Barolo Fontanafredda
- Barolo chinato Fontanafredda


* Coloquei algumas palavras traduzidas nos comentários deste post
















segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Brunello di Montalcino safra 1999, enfim dugustado.

Essa semana, com um pouco mais de tempo, conseguimos finalmente comemorar uma série de conquistas e mudanças, resolvemos fazer um jantarzinho na casa nova e abrir um presente que estava guardado há mais de 2 anos esperando por uma bela ocasião.

Meados de julho de 2007, verão na Europa, Eu e mia moglie estávamos em Firenze, obra de arte a céu aberto. De lá resolvemos fazer um caminho pelas vinícolas da toscana por estradelas que são mais demoradas no trajeto, mas que nos possibilitavam parar em cada vinícola para degustar os vinhos.

No caminho fomos de cidade em cidade e de taça em taça passamos por Greve in Chianti, San Giminiano e Montalcino, esta última cittá famosíssima pelo vinho Brunello di Montalcino, e claro que não poderíamos de deixar de provar essas iguarias toscanas e porque não, trazer algumas pro Brasil.

Depois de passar por várias vinícolas, buscando o Brunello perfeito, passamos por uma que realmente chamou a atenção. Paramos o carro naquela área para estacionar coberta de pedregulhos em frente a um casarão feito de pedras ao estilo toscano - nosso sonho de consumo - e fomos até a cantina que ficava no pavimento inferior a uma temperatura que parecia até ter ar condicionado. Pedimos para degustar o Brunello de 1999, a safra que eu estava procurando, já que foi uma das melhores já colhidas na Itália.

Geralmente a pessoa que nos atende, serve o vinho e fica esperando um veredito ali mesmo olhando pra sua cara. Talvez até por um ato de intimidação, as pessoas nem gostam tanto e fazem um OK como se tivessem aprovado o vinho. Mas não foi esse o caso, a pessoa serviu o Brunello e deixou a gente bem a vontade, saindo da sala para fazer outras coisas.
Nesta hora, eu olhei pra Cá e falei: "Bom, né?"

O nome da vinícola é Azienda Agricola Piombaia e além da cantina onde serviam os vinhos, havia uma pequena osteria (L'Osteria la Crocina) onde há pratos típicos da toscana e os vinhos da própria fabricação para acompanhar.

Apesar de termos adorado o vinho, ainda faltavam algumas vinícolas pelo caminho para provarmos. Agradecemos e voltamos para a estrada na busca do Brunello perfeito.

Passamos por mais 2 ou 3 vinícolas, todos os Brunellos de 99 que provamos não chegavam perto daquele que havia deixado aquele aroma intacto na boca.

Não tivemos dúvida, voltamos cerca de 30 KM do nosso trajeto para buscar aquele Brunello e aproveitamos para almoçar na osteria que parecia muito boa e realmente era. Mangiamo una pasta na parte de fora da osteria, em uma parte cercada de vidros, que deixava o ambiente bem ensolarado.

Em 2007, pagamos 30 euros pela Brunello, convertendo pra aqui, seria cerca de 100 reais no Brasil, mas um Brunello di Montalcino da safra de 1999, você dificilmente encontra aqui no Brasil por menos de 200 reais, aliás até mesmo esta safra é difícil de encontrar. Segundo o guia de safras históricas da Itália, melhor que esta só a de 1998, mas a diferença de preço é quase o dobro.

Na página da vinícola, o preço dele hoje esta 40 euros e o de 1998 esta 80 euros

Ao voltar para o Brasil, embalado em plástico bolha e com todo o cuidado do mundo, o vinho ficou em casa desde então, na horizontal, temperatura ambiente e sem luz direta apenas aguardando o momento sublime de ser degustado.

Estávamos ensaiando para abri-lo há um tempão, lógico que teria que ser em uma ocasião especial. A primeira que surgiu foi o nascimento do meu filho Bruno, mas como a patroa não poderia beber nada alcoólico logo após o parto e o fato de ter um bebê recém-nascido em casa não ajudou muito, não seria justo abrir o vinho e não curtir com ela como imaginamos. A comemoração era mais que perfeita, mas não a aproveitaríamos como deveríamos.

Vamos então esperar a próxima ocasião quando o Bruno estiver crescido e o Brunello envelhecido um pouco mais.

A próxima ocasição surgiu 1 ano e 2 meses depois, quando finalmente mudamos para o nosso apartamento que tanto estavamos esperando.

A Cá preparou um risotto alla margueritta (manjeiricão, mozzarela de búfala, tomate e parmesão ralado) acompanhado de carne vermelha pra exigir bastante de um rosso italiano bem encorpado, medalhões de filet mignon.

Colocamos o pequeno Bruno pra dormir e o Brunello finalmente acordou!

Depois de 10 anos ele libertou todo o seu aroma e robustez que estavam presos aguardando o momento certo para explodir em um buquê que dominou o meu paladar.

A cor típica que indica um vinho mais velho, o vermelho alaranjado, trouxe também um pouco de nostalgia como se houvéssemos voltado naquele verão europeu de 2007 quando compramos o vinho na Toscana, parecia que um filme que misturava som, imagens e sabores estava passando em nossas cabeças naquele momento.

O prato combinou perfeitamente com o vinho, nada brigou com nada, uma perfeita harmonia valorizando apenas o jantar em si. Sou suspeito, mas posso dizer que ela tem aprimorado o risotto a cada dia.

O vinho ficou, aquele gosto que persiste na boca, nada comparado aos vinhos leves, jovens e vermelho violeta que tomamos no dia-a-dia, este vinho fica na boca e ficou na mente, assim como aquele momento.

Ma che bella cena!! Mangiamo troppo!
Grazie a Dio!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Saltimboca alla Romana com Chianti Classico direto da Toscana


No começo de dezembro foi o aniversário da minha patroa, e como estávamos sem tempo de sair, por causa do filhote, resolvemos fazer um jantarzinho em casa, nem por isso fizemos qualquer coisa, resolvemos aproveitar a data especial para fazer um prato diferente e tomar aquele vinho...aquele que estou guardando desde a viagem à Itália depois de ter sobrevivido dentro da mala de volta ao Brasil.

Pois bem, resolvi fazer um prato chamado Saltimboca alla Romana e para acompanhar comprei uma massa recheada para servir com molho de tomate em pedaços. Para este prato resolvemos abrir o nosso chianti clássico, um Rocca delle Macìe chamado Tenuta Sant'Alfonso, que compramos quando visitamos o local na toscana, por sinal, uma bela vinícola.

Em Firenze, conhecemos e ficamos amigo do gerente do hotel que ficamos hospedados, Mauro Betti, que nos indicou alguns ótimos locais e ótimos restaurantes da cidade. Além de ter nos presenteado com um belissímo azeite fabricado pela sua família, também nos indicou algumas vinícolas da toscana para visitar, entre elas a Rocca delle Macìe.

Seguindo os conselhos do nosso amigo italiano, dirigirmos por uma estradela pitoresca da toscana parando de vinícola em vinícola para degustar e comprar alguns vinhos. Depois de passar a cidade de Greve in Chianti, encontramos a vinícola indicada, uma das mais bonitas da região.

Fomos muito bem atendidos pela especialista de vinhos que nos apresentou uma grande variedade da bebida santa, aproveitamos então para degustar alguns vinhos com um casal belga que encontramos lá no local e logo fomos perguntando sobre um dos vinhos que nosso amigo nos sugeriu, o Tenuta Sant'Alfonso, que ele disse que era um dos melhores chiantis da região.

Degustamos e compramos uma garrafa, que guardamos e embalamos com muito cuidado na mala para não quebrar durante a viagem. Engraçado foi ter visto na prateleira desta vinícola um vinho brasileiro da marca Rio Sol, que pertence a Expand, loja muito conhecida no Brasil. Pelo que a especialista me falou, a Expand é parceira da Rocca fazendo assim intercâmbio de vinhos entre os dois países.

Depois de tanto provar vinhos, precisávamos de um belo almoço, perguntamos para a especialista em vinhos se havia algum lugar próximo para almoçarmos, ela sugeriu o restaurante da própria vinícola que ficava à 4 Km de lá.

Seguindo os conselhos da moça, pegamos a estradela novamente, entramos em uma estrada menor ainda de terra batida que nos levou até a entrada da propriedade. Continuando o caminho, começamos a ver os imensos vinhedos e no alto da colina uma contrução de pedra, bem típica daquela região. O complexo na verdade era uma mistura de restaurante e pousada para os amantes dos vinhos da toscana, tinha até uma piscina para hóspedes. Apesar de ser da vínicola, a pousada tinha um nome próprio - Riserva di Fizzano.

Estacionamos o carro no local e fomos até o restaurante, debaixo daquele sol muito forte do verão italiano, sentamos debaixo dos enormes ombrelones, onde estavam servindo alguns clientes.
Pedimos um belíssimo vinho branco chamado Occhio a Vento, com tons de maracujá, que lembro até hoje. Não lembro do prato que comemos lá, mas do vinho e do lugar não me esquecerei tão cedo.

Bom, voltando ao jantar de aniversário, ficou realmente muito bom, modéstia à parte, os filés com camadas de presunto cru e de folhas de sálvia lembravam um pouco daquele ar italiano que respirávamos com prazer. Com o vinho Tenuta ficou ainda melhor, um vinho bem estruturado e forte, característico de um bom chianti clássico.

Além de degustar aquele jantar maravilhoso, do lado da mãe do ano, foi ótimo recordar novamente essas histórias que passamos juntos naquela viagem à Europa e lembrar que uma grande viagem é construída por ótimos conselhos.


Receita - Saltimboca alla romana

6 escalopinhos de filé mignon
10-15 sálvias em folhas picada
100ml de vinho branco
15ml de azeite
farinha de trigo
sal e pimenta do reino
15g de manteiga
100ml de caldo de carne ou legumes
100g de presunto cru em fatias finas

Espalhar a sálvia em um dos lados do escalope e cobrir com uma fatia de presunto, aperte bem para que o presunto se prenda ao escalope. Do lado oposto, tempere com sal e pimenta do reino, passe farinha e frite-os rapidamente (começando pelo lado do presunto) de ambos os lados em uma frigideira com azeite e manteiga, depois de fritos juntar o vinho ao molho que sobrou, deixar reduzir e colocar os escalopinhos no prato e regá-los com o molho.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vinho Italiano Castello Maggiore Valpolicella

Meu objetivo agora é dividir tudo que encontro que é bom e barato, que vale a pena realmente consumir, afinal qual é o mérito de dividir com alguem um serviço ou produto que é bom e caro? Se a coisa é cara ela não pode ser boa, tem que ser ótima.

Isso não quer dizer que não aprecio produtos caros, consumo sim, por exemplo trouxe um Brunello di Montalcino, safra de 99, da Itália que custa por aqui uns R$ 100 reais a garrafa, este vinho realmente vale a pena, mas tenho tomado por aqui alguns vinhos na faixa dos R$ 50 reais que não valeram o investimento, nestes casos, fico com o bom e barato, o vinho do dia-a-dia.

Este é o caso do Castello Maggiore Valpolicella, que acabei conhecendo em um daqueles meus almoços em cantinas de São Paulo, ao pedir uma lasagna de berinjela, decidi beber uma taça de vinho italiano para acompanhar, e o mais indicado foi o Castello Maggiore Valpolicella, que por incrível que pareça, não é caro e esta na faixa de preço de um vinho sul-americano médio.

Gostei muito do vinho, a primeira impressão foi de ser um vinho mais suave que os outros italianos, chegando quase a suavidade dos vinhos Australianos ou Sul-Africanos.
Além de ser suave, ele é bem frutado e muito fácil de beber, acompanhou muito bem o prato, mas não deixa marcas muito fortes no paladar.

O Vinho Castello Maggiore Valpolicella, é da região do Vêneto, não é fácil de encontrá-lo aqui, não é vendido em supermercados, pelo menos não achei um que vendesse, ele é mais encontrado em restaurantes, mas é vendido em algumas distribuidoras de bebidas por um preço em média de R$ 22,00 a garrafa. Esse preço, é o que se paga por um vinho Argentino ou do Chileno simples, por ser um vinho europeu, ele está bem em conta, fazendo uma simples comparação.

Além da uva Valpolicella, este vinho também é vendido nas versões Merlot, Cabernet, Montepulciano d'Abruzzo, entre outras. O Merlot e o Cabernet cultivados na Europa, eu prefiro não arriscar, agora o Montepulciano parece ser bem interessantes.

Dica para comprar: Reluma