segunda-feira, 4 de agosto de 2008

História da Famiglia Della Negra

Depois de conseguir alguns documentos do meu pai e do meu avô, finalmente resolvi investir na busca dos meus ascendentes, lógico que foi bem complicado, principalmente por não existir muitos vestígios, a família acabou se espalhando no Brasil e ninguém sabe onde ficaram os documentos e certidões de nascimentos da italianada que pisou no porto de Santos.

Nos documentos que consegui com alguns familiares não ficava claro saber de onde o meu bisavô veio, de que região da Itália.

Com quase nada em mãos, comecei procurando na Internet. O primeiro indício foi em um site de brasões, consegui achar o brasão da família Della Negra e segundo os documentos deste site http://www.heraldica.com.br, a origem do brasão e da família é da província de Vicenza, na região de Vêneto, na Itália.

Este é o brasão:



Não estava 100% confiante nesta informação, impossível ter uma precisão exata do local, fui atrás de mais informações e fiquei muito curioso ao encontrar está página:
http://www.villecasali.com
É um site que aluga casas na Itália para férias e feriados, segundo o texto da página, esta casa, que um dia foi um convento, esta localizada na cidade de Arzignano e em algum momento pertenceu a família Della Negra.


O texto que eu traduzi para o português está aqui:

O ex-convento é dedicado a Virgem Maria e ainda hoje é rico em história e lenda. Dizem que os muros escondem um bezerro de ouro de época romana.

Santo Bernardino de Siena viveu lá onde ele atraíu uma multidão de pessoas com sua pregação. A igreja foi decorada com famosas pinturas e guarda o sagrado espinho que foi dado por um monge proveniente da Terra Santa.

O espinho é agora guardado na igreja de Castello. As acomodações ainda têm quartos murados da época.

Uma antiga lenda diz que há um túnel subterrâneo que une o convento ao castello, caminho usado para escapar durante as inúmeras batalhas.


As adegas foram um dos palcos para a inquisição.

A família Della Negra, viveu um período amaldiçoado por ter pavimentado estradas e os estábulos com o piso da igreja.

A maldição perseguiu a família e cavalos ficaram sem pernas e a família acabou sendo expulsa.
Em seguida um voto da Santa surge no convento novamente.

O convento foi construído no topo da colina de Arzignano, em 1494. O convento e uma grande igreja foram confiados aos Franciscanos, que transformaram-nas em um esplendido centro de cultura e fé.
Em 1704 o fogo destruiu grande parte do complexo de Santa Maria, que foi reconstruída prontamente.

Para conhecimento do orgulho dos habitantes, uma lápide foi construída para relembrar a pronta reconstrução pelo mérito dos fiéis e ainda pode ser visitada.
O trabalho foi completado em 1715.

Por aproximadamente 100 anos, as atividades pastorais continuaram, mas os tempos eram difíceis e os últimos frades abandonaram o convento com a chegada e das expropriações de Napoleão.


Novamente a propriedade foi da Familia Della Negra. Eles pertenciam a maçonaria e sendo completamente anticleriais, eles destruíram todos os indícios religiosos, grande parte do poder de relembrar a fé e alguns trabalhos de arte.


No ano de 1880, Santa Maria veio a ser propriedade da Família Mistrorigo que transformou em um complexo para passar férias.



Bom, também não sabia se esta história era mesmo verdadeira, aliás bastante melancólica sem falar na maldição familiar, mas ao menos era interessante e trazia mais alguns indícios.
Esta casa está localizada na cidade de Arzignano, Olhando no mapa da Itália, ela fica na comune de Vicenza, que fica na região do Vêneto, pelo menos em relação a localização, estava começando a fazer sentido.

Com mais essa informação, decidir ser cara-de-pau e comecei a mandar emails para a comune de Vicenza. Depois de muitas trocas de emails com o arquivo de Vicenza, descobri que provavelmente o meu bisavô (Giuseppe Della Negra) e o seu irmão (Antonio Della Negra) nasceram em uma cidade chamada Montecchio Maggiore (brasão ao lado) e que fica na provincia de Vicenza, vizinha de Arzignano, isso de acordo com um documento que continha registros do alistamento militar.

Este foi o texto do documento:

abbiamo trovato solo un Dalla Negra Antonio che è figlio di Giovanni e di Teresa Spirea nato a Montecchio Maggiore il 15 ottobre del 1877. Potrebbe essere un fratello.


Isso significa que eles acharam um Antonio Dalla Negra, filho de Giovanni e de Teresa Spirea, que é provavelmente irmão de Giuseppe Della Negra. O sobrenome pode sofrer variações, ou erros de digitações, muito comuns nos registros da época.
Giovanni Della Negra foi o meu tataravô, que desembarcou no porto de Santos com o meu bisavô, seu filho, mais 2 filhos e a sua mulher, Teresa.


Localização da cidade Montecchio Maggiore no mapa da Itália


Estas informações do desembarque no porto de Santos, consegui no Memorial do Imigrante, aqui em São Paulo, com data e nome do navio que eles chegaram.
http://www.memorialdoimigrante.org.br
No site existe uma busca por sobrenome que é fácil descobrir se eles passaram por lá ou não. Esta é a página com os dados da minha família: Busca Della Negra

Depois disso, só indo para a Itália mesmo para conseguir mais informações e documentos, fiquei muito curioso com o fato de várias informações estarem fazendo sentido até o momento.
Comecei a pensar em realmente pisar na Itália pela primeira vez.
Motivo e vontade eu já tinha, faltava disponibilidade: tempo + dinheiro.
Será que eu estava pronto?

São Paulo poderia ficar sem mim durante 30 dias? E o meu trabalho? Quem poderia cuidar das minhas coisas, dos meus projetos?
Pois é, esse é o típico pensamento de um paulista.


Veja aqui a segunda parte deste texto - História da Famiglia Della Negra - parte II


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Este texto é uma homenagem ao meu futuro filho, Bruno Della Negra, que esta chegando a este mundo em algumas semanas e que um dia vai querer descobrir as suas raízes, assim como o seu pai.

2 comentários:

CMarcondes disse...

Parabens Marcel !
Voce vai ver como este negócio de genealogia é fascinante, vira um vicio maravilhoso.
Tenho minhas raizes na Italia tambem, pelo lado de meu pai, de Veneza em 1688 quando nasceu o primeiro Marcondes (originalmente Marcone) e de minha mãe, meus bisavós que vieram em 1892, de Masi - Provincia de Pádova.
Grande abraço,
Claudio Marcondes Machado

Marcel Della Negra disse...

pois é amigão....
No fim, somos todos italianos!
Siamo tutti italiani!