Achei este video no YouTube muito interessante, um documentário americano sobre a cidade de São Paulo feito pelo Coordenador de Assuntos Inter-Americano para promover relações amistosas com os países da América do Sul pouco antes da Segunda Guerra Mundial, feito em 1943
São Paulo, the fastest growing city in the world
O vídeo mostra o progresso rápido da cidade de São Paulo, a cidade que mais crescia na América Latina na decada de 40, quando era ainda a segunda maior cidade do Brasil, atrás do Rio de Janeiro em população.
Há muitas cenas interessantes de marcos históricos da cidade de São Paulo e imagens de uma cidade que ainda era uma promessa de desenvolvimento industrial e progresso, muito antes dessa ocupação desordenada, caos no trânsito, violência e poluição.
Algumas imagens são maravilhosas como a de algumas ruas da época com bondes passando e carros vagarosamente desfilando, igrejas e da arquitetura das casa da paulista e casarões de bairros nobres, o estádio do Pacaembu, o Instituto Butantã, o Vale do Anhangabaú, o Teatro Municipal e o Teatro Ipiranga, a Estação da Luz, o Museu do Ipiranga, alguns prédios maravilhosos contrastados com a arquitetura antiga.
Se eu estivesse em 1943 e visse este filme, com certeza apostaria nesta cidade, mas não imaginaria que ela viria a ser uma cidade tão grande assim ao ponto de preocupar os habitantes pelo excesso de crescimento.
terça-feira, 31 de março de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Imigração italiana mais forte que a colonização

Nesta época, o Império Romano já havia sucumbido e a enorme frota naval de seu Império Veneziano afundava lentamente, além disso, a Itália perdia parte do seu território da Península Itálica para a França com a invasão de Carlos VIII.
Estando muito inferiorizada perante seus concorrentes marítimos, a Itália não conseguiu dominar territórios pelo o mundo em um período extremamente favorável para a afirmação de um país como potência naval, enquanto isso, Inglaterra, Espanha, Portugal, França, Holanda e outros países travavam batalhas marítimas para dominavam mares e territorios pelo mundo, ampliando horizontes.
Lógico que a colonização de "terras virgens" não era apenas de cunho cultural, era uma colonização sempre predatória que buscava extração de riquezas e bases navais fora de domínios territoriais.

Os italianos não conseguiram espalhar a sua língua pelo mundo como fizeram a Espanha, Portugal e Inglaterra, mas a Itália conseguiu muito sem ter tirado um só navio de seu cais, comparando com o eforço dos demais países. Sabe como?

A herança que as comunidades italianas fora da Itália exerce em seus países é muitas vezes mais forte do que os países que os colonizaram, porque é mais recente e mais enraizada do que os colonizadores originais. Os colonizadores originais influenciaram a base do povo, víceras, os imigrantes italianos foram no coração do povo levando customes e tradições que são mantidos por filhos, netos, bisnetos, etc.
O povo italiano sempre foi muito ligado a arte, música, culinária, arquitetura e ao design, sempre com o bom tempero alegrea e de jeito espalhafatoso, muito fácil de ser absorvido e adaptado para outras culturas. Essas emanações italianas são altamente influenciáveis e se misturam facilmente com a cultura local, sem deixar vestígios.
A imigração italiana pelo mundo foi como uma colonização pacífica, não forçada e não planejada, naturalmente absorvida pelo povo que abrigara esta população sedenta de novas oportunidades.
Isso também ocorreu, de forma diferente e desproporcional, na imigração mexicana para os EUAs, além da influência da língua espanhola no cotidiano americano, eles acabaram absorvendo muitas tradições e comidas típicas do México. Assim ocorreu também com a Argentina, onde o povo tem muitos mais laços com o povo italiano do que com seus colonizadores originais, os espanhóis.
Seguramente vejo influência da colonização portuguesa no cotidiano paulista, mas acho que a imigração italiana é muito mais forte e presente do que qualquer outra intervenção exterior em São Paulo. Se eu pudesse quantificar essa influência, diria que em São Paulo temos algo como 60% de influência italiana contra 40% de outros povos (portugueses, japoneses, espanhóis, libaneses, etc), no caso do Rio de Janeiro a coisa é igualmente inversa, 60% de portugueses e 40% de outras povos.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Famiglia Mancini na rua avanhandava

A rua é praticamente toda do Mancini, há pelo menos 4 ou 5 estabelecimentos dele na mesma rua, sendo assim, ele e os outros proprietários conseguiram um feito muito original, conseguiram transformar a rua, no centro da cidade, em um lugar agradável para os pedestres, inibindo a entrada de automóveis, reduzindo assim o fluxo da rua.
A rua avanhandava foi pavimentada com pequenos blocos de concreto, as calçadas foram ampliadas e decoradas com grandes vasos e algumas fontes tipicamente italianas. Além disso, os estabelecimentos abusam da calçada, no bom sentido, com decorações e enormes ombrelones. Olhando bem as fotos, não parece que a rua fica em São Paulo, parece uma ruazinha de uma cidade européia.
O restaurante é uma atração a parte, com milhares de bugigangas e velharias penduradas nas paredes e no teto, com aquela decoração típica de cantina italiana (ou osteria) com toalhas de mesa quadriculada, muitos quadros e espelhos, garrafas de vinhos, fitas coloridas e milhares de lustres de diferente tipos.
Em todas as cadeiras de madeira existe uma placa de metal com a indicação de quais pessoas famosas sentaram ali naquela mesma cadeira, eu acabei sentando na mesma cadeira da Ivete Sangalo, não que eu seja um fã, muito pelo contrário, é que não tinha outro lugar disponível.
O cardápio é variado com muitas opcões de antipastos e de pastas, percebi que o foco do restaurante não é realmente para casais e sim para famílias, todos os pratos servem 3 pessoas, travessas gigantescas de massa, muito bem servidas e com um preço salgado, na faixa de R$ 70,00 cada travessa.
A carta de vinhos também é bem variada, porém não tem opções de um custo mais razoável, os vinhos são excelentes, mas falta um mix melhor de preços.
Na minha opinião, é um programa familiar muito legal, pra fazer em um domingão de muita comilança com os familiares, e depois do almoço, vale passear pela rua e tomar um café ou então tomar um sorvete em mais um dos estabelecimentos da família Mancini.
Tirei algumas fotos da rua e do restaurante, vale a pena conferir
Famiglia Mancini
Rua avanhandava, 34
Centro - São Paulo







terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Saltimboca alla Romana com Chianti Classico direto da Toscana

No começo de dezembro foi o aniversário da minha patroa, e como estávamos sem tempo de sair, por causa do filhote, resolvemos fazer um jantarzinho em casa, nem por isso fizemos qualquer coisa, resolvemos aproveitar a data especial para fazer um prato diferente e tomar aquele vinho...aquele que estou guardando desde a viagem à Itália depois de ter sobrevivido dentro da mala de volta ao Brasil.
Pois bem, resolvi fazer um prato chamado Saltimboca alla Romana e para acompanhar comprei uma massa recheada para servir com molho de tomate em pedaços. Para este prato resolvemos abrir o nosso chianti clássico, um Rocca delle Macìe chamado Tenuta Sant'Alfonso, que compramos quando visitamos o local na toscana, por sinal, uma bela vinícola.
Em Firenze, conhecemos e ficamos amigo do gerente do hotel que ficamos hospedados, Mauro Betti, que nos indicou alguns ótimos locais e ótimos restaurantes da cidade. Além de ter nos presenteado com um belissímo azeite fabricado pela sua família, também nos indicou algumas vinícolas da toscana para visitar, entre elas a Rocca delle Macìe.

Seguindo os conselhos do nosso amigo italiano, dirigirmos por uma estradela pitoresca da toscana parando de vinícola em vinícola para degustar e comprar alguns vinhos. Depois de passar a cidade de Greve in Chianti, encontramos a vinícola indicada, uma das mais bonitas da região.
Fomos muito bem atendidos pela especialista de vinhos que nos apresentou uma grande variedade da bebida santa, aproveitamos então para degustar alguns vinhos com um casal belga que encontramos lá no local e logo fomos perguntando sobre um dos vinhos que nosso amigo nos sugeriu, o Tenuta Sant'Alfonso, que ele disse que era um dos melhores chiantis da região.
Degustamos e compramos uma garrafa, que guardamos e embalamos com muito cuidado na mala para não quebrar durante a viagem. Engraçado foi ter visto na prateleira desta vinícola um vinho brasileiro da marca Rio Sol, que pertence a Expand, loja muito conhecida no Brasil. Pelo que a especialista me falou, a Expand é parceira da Rocca fazendo assim intercâmbio de vinhos entre os dois países.
Depois de tanto provar vinhos, precisávamos de um belo almoço, perguntamos para a especialista em vinhos se havia algum lugar próximo para almoçarmos, ela sugeriu o restaurante da própria vinícola que ficava à 4 Km de lá.
Seguindo os conselhos da moça, pegamos a estradela novamente, entramos em uma estrada menor ainda de terra batida que nos levou até a entrada da propriedade. Continuando o caminho, começamos a ver os imensos vinhedos e no alto da colina uma contrução de pedra, bem típica daquela região. O complexo na verdade era uma mistura de restaurante e pousada para os amantes dos vinhos da toscana, tinha até uma piscina para hóspedes. Apesar de ser da vínicola, a pousada tinha um nome próprio - Riserva di Fizzano.

Estacionamos o carro no local e fomos até o restaurante, debaixo daquele sol muito forte do verão italiano, sentamos debaixo dos enormes ombrelones, onde estavam servindo alguns clientes.
Pedimos um belíssimo vinho branco chamado Occhio a Vento, com tons de maracujá, que lembro até hoje. Não lembro do prato que comemos lá, mas do vinho e do lugar não me esquecerei tão cedo.
Bom, voltando ao jantar de aniversário, ficou realmente muito bom, modéstia à parte, os filés com camadas de presunto cru e de folhas de sálvia lembravam um pouco daquele ar italiano que respirávamos com prazer. Com o vinho Tenuta ficou ainda melhor, um vinho bem estruturado e forte, característico de um bom chianti clássico.
Além de degustar aquele jantar maravilhoso, do lado da mãe do ano, foi ótimo recordar novamente essas histórias que passamos juntos naquela viagem à Europa e lembrar que uma grande viagem é construída por ótimos conselhos.
Receita - Saltimboca alla romana
6 escalopinhos de filé mignon
10-15 sálvias em folhas picada
100ml de vinho branco
15ml de azeite
farinha de trigo
sal e pimenta do reino
15g de manteiga
100ml de caldo de carne ou legumes
100g de presunto cru em fatias finas
Espalhar a sálvia em um dos lados do escalope e cobrir com uma fatia de presunto, aperte bem para que o presunto se prenda ao escalope. Do lado oposto, tempere com sal e pimenta do reino, passe farinha e frite-os rapidamente (começando pelo lado do presunto) de ambos os lados em uma frigideira com azeite e manteiga, depois de fritos juntar o vinho ao molho que sobrou, deixar reduzir e colocar os escalopinhos no prato e regá-los com o molho.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Sardela - Italiana ou Brasileira? (Receita original)

Um dos Antipasti que mais gosto, é a famosa Sardela passada em um pão italiano, boa opção pra começar bem o almoço.
Mas afinal, essa Sardela que conhecemos e adoramos é italiana ou brasileira?
Bom, Sardela ou Sardine: em italiano significa sardinha, que é a base de preparo do antipasto, porém na Itália não há nehuma receita com este nome.
A sardela é uma espécie de pasta que, além do peixe, leva também azeite, pimentão, tomate, pimenta e outros temperos.
Existe uma receita bem parecida na Itália, originaria da Calábria, que leva anchovas recém-nascidas, chamadas de "bianchetti" que são curtidas dentro vidros por muito tempo em salmoura e misturadas com pimenta preta, pimentões e azeite, conhecida como Murstica, ou também como Caviar Calabrese "Calabrese caviar" ou Rosamarina
Provavelmente o que realmente aconteceu, foi que com a chegada dos Italianos em São Paulo, muitas das receitas originais acabaram sendo mudadas por causa dos ingredientes, era muito difícil ou até mesmo impossível achar os verdadeiros ingredientes Italianos aqui no Brasil, ainda mais naquela época. Isso aconteceu com vários pratos Italianos que hoje são feitos no Brasil com ingredientes substituídos, um certo movimento de tropicalização dos pratos. Por exemplo, aqui no Brasil o molho Pesto é feito com amêndoas e não com o Pinoli, o ingrediente original.
Teoricamente, isso foi o que aconteceu também com a Sardela, ela foi adaptada da receita original de Murstica da Calábria, substituindo-se o peixe Bianchetti pela Sardinha, muito mais fácil de encontrar e muito mais barato aqui no Brasil, sendo assim, rebatizaram o antipasto com o nome do ingrediente principal em italiano - Sardela.
Provavelmente a explicação definitiva para a origem da Sardela nunca será revelada, mas uma coisa é certa: esta mistura tipicamente mediterrânea que foi levada por Árabes para a Calábria há centenas de anos e depois trazida por Italianos para o Brasil, definitivamente é mezza italiana e mezza brasiliana.
Receita de Sardela (Original)
Ingredientes:
5 pimentões vermelhos em conserva
3/4 xic. de azeite de oliva extra virgem
1 lata de aliche sem pele e sem espinhas conservada no azeite (aprox. 125gr)
1 pimenta dedo de moça
1 pitada de sementes de erva doce
Modo de Fazer:
Bata tudo no liqüidificador ou processador (sem o aliche), coloque numa panela duas horas de fogo, para o pimentão atingir seu ponto, depois disso desligue o fogo e coloque o aliche. Deixe esfriar e leve a geladeira. Sirva após 2 horas.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Tour Aéreo da cidade de São Paulo feito pelo dirigível da Goodyear
Pra quem gosta muito de fotografia + cidade de São Paulo, vai aqui mais uma indicação:
Uma pequena coleção de fotos muito atuais de vários marcos da cidade, todas elas tiradas daquele dirigível da Goodyear, o Ventura.
Muito legal a iniciativa da prefeitura para quem quer conhecer a cidade e ver como do alto, ela é ainda mais bonita.
Veja como é possível realçar a arquitetura e a grandiosidade da nossa cidade, se continuarmos com programas como o cidade limpa ou programas de revitalizações de regiões inteiras como o PROCENTRO, São Paulo pode voltar a ser uma cidade muito mais agradável.
O governo federal também tem um programa de recuperação e preservação do patrimônio histórico, o Monumenta.
Curta aqui algumas das fotos:

Catedral da Sé
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Milhares de sobrenomes italianos em São Paulo
Não sei se é porque fui criado em São Bernardo, mas 5 dos meus 6 melhores amigos de infância têm sobrenomes italianos, contando com o meu são ao todo 6:
Della Negra
Brunelli
Venelli
Gaya
Vizoni
Noveletto
Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul são cidades que receberam muitos imigrantes italianos durante a invasão italiana em São Paulo, o ABC paulista é um dos maiores pólos industriais do país, mas também é mais um dos redutos italianos dentro de São Paulo.
Minha avó que foi criada em São Caetano dizia que na década de 30/40, eles iam de carroça de São Caetano até o bairro do Demarchi em São Bernardo para almoçar em pequenos restaurantes instalados na casa das famílias italianas que no começo do século adquiriram várias chácaras no local.
Nessa época estes restaurantes começaram a ficar famosos principalmente porque eles estavam no caminho para o litoral, muitas famílias paravam nas chácaras para almoçar antes de continuar a longa viagem de São Paulo até Santos, e desde então, a rota dos restaurantes do Demarchi começou a ficar conhecida, a famosa rota do frango com polenta.
O bairro recebeu o nome em homenagem a família italiana Demarchi, mas abrigou muitas outras famílias como os Battistini, os Morassi, os Tolotti e os Capassi, todos eles foram encaminhados da hospedaria para essas terras chamadas de Colônias, terras intactas que foram praticamente doadas pelo governo para os imigrantes plantarem e cultivarem alimentos.
Assim como os Demarchi, a família Battistini também virou nome de bairro, ali colado ao Demarchi, ambos atualmente conhecidos pelos gigantescos restaurantes que já não são tão movimentados, por abrigar a fábrica da Volkswagem e várias empresas de transportadoras de carros, as conhecidas cegonheiras.
Essa é mais de uma das milhares de pequenas histórias da Italianada em São Paulo, todas elas espalhadas por todo o estado, pois são milhares de famílias, milhares de descendentes.
Além dos meus amigos de infância, relacionei aqui mais alguns sobrenomes de pessoas que conheci ou que trabalhei até hoje, alguns são meus amigos, outros apenas colegas, mas o que vale é saber que cada um deles carrega um pouco da história de cada imigrante italiano que chegou em São Paulo.
Albertini
Agnelli
Amadesi
Baggio
Barbieri
Barone
Bassi
Bellentani
Belon
Betti
Brussi
Buim
Caliari
Cammarano
Canale
Carone
Carretero
Caselli
Cavallini
Coldibelli
Colussi
Coppini
Del Buono
Ferrari
Foganholi
Fortis
Franchini
Fuzinato
Fuzzo
Genovesi
Gianello
Giglio
Grassone
La Pastina
Lanza
Levi
Lucato
Lucena
Mantovani
Marmobello
Marquesi
Martinelli
Marucci
Mastromauro
Matiazzi
Medici
Mellone
Mengai
Moscarella
Mucheroni
Nazzoni
Negri
Orsini
Otoboni
Palermo
Paschino
Pellegrini
Perrone
Pierin
Piero
Pugliese
Raimondi
Ricci
Romano
Ronqui
Santucci
Sartori
Savegnago
Savone
Scagliarini
Scannapieco
Scattine
Seleri
Serciloto
Spirandelli
Tassinari
Toldo
Tonussi
Traldi
Travaglin
Trocoletto
Valdrighi
Vecchi
Vechiato
Venditti
Venturoso
Vitta
Vivolo
Vulcano
Zago
Zorzella
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