terça-feira, 9 de março de 2010

Mio bisnonno é nato a Montecchio Maggiore

Finalmente!!!! Depois de alguns anos na busca, semana passada chegou em casa a certidão de nascimento italiana do meu bisnonno, Giuseppe Della Negra.

Como eu acreditava, ele nasceu em Montecchio Maggiore (VI) no dia 13 de junho de 1882. Estava com dúvidas se acharia essa certidão em Montecchio, pois apenas tinha certeza que seu irmão era de lá.

Em 2007, mesmo com dúvidas, fui pessoalmente a Montecchio Maggiore tentar algo, porém pessoalmente não adianta muito, pois eles necessitavam de tempo para fazer uma "ricerca" nos arquivos.

Continuei na expectativa, aguardando uma resposta de Montecchio, enquanto isso, fui mandando emails para outras comunes de Vicenza, para ver se existia alguma outra possibilidade.

Provavelmente a comune estava com sérios problemas para fazer essa busca. Apenas no ano passado chegou a certidão do Antonio, seu irmão, e só agora a do Giuseppe, depois de 3 anos.

Uma coisa é certeza, meu sobrenome italiano é na verdade "Dalla Negra" e não "Della Negra", como fomos registrados no Brasil. Na própria hospedaria do Brás, a família já chegou com erro no sobrenome, desde então siamo tutti Della Negra e non Dalla Negra.

Bom, valeu a pena a espera, agora vou atrás dos outros documentos que faltam para tirar a cidadania italiana: certidão de casamento, óbito, fazer retificações nos documentos, tradução e depois ficar na fila de 11 anos...


Montecchio Maggiore

Aqui vou falar um pouco sobre a cidade e seus principais pontos turísticos de onde nasceu mio bisnonno paterno.

A cidade é uma das comune italianas da região do Vêneto, província de Vicenza, com cerca de 23.000 habitantes. A origem do nome é do termo "monti clus", que significa "pequena montanha" em latim.
A cidade fica em um local estratégico detectado pelos romanos, pois fica no caminho para o valle Agno, depois de uma estrada ser construída conectando Vicenza ao Campo del Gallo.

Em 1236 a cidade foi de domínio romano, e desde então, a região foi submetida a várias invasões na Idade Média. No século VI foram os lombardos e os bizantinos que acabaram se estabelecendo a sua autoridade por lá, depois tornando-se um grande centro de Ducato vicentino.

Cangrande em 1311 e mais tarde Cangrande II, conquistaram Montecchio e os territórios do domínio Vicentino, e em um projeto para melhorar as estruturas militares, eles construíram os castelos, colocando como responsável, Giovanni Della Scala, a fim de defender a capital e reforçar a estrutura defensiva da comunidade, com uma rede de castelos e muralhas de pedra que são a atração principal da cidade.

As fortalezas poderosas que dominavam Montecchio Maggiore, são os restos de um poderoso complexo para controlar e defender o caminho de Verona a Vicenza.


No século XV, o Vêneto caiu sob a soberania de Veneza, que foi governado até 1797, ano da queda da República Veneziana.
Depois, Montecchio Maggiore foi sede de um pequeno reino que inclui as cidades vizinhas de Sovizzo, Gambugliano, Montemezzo e Mount St. Lorenzo.

No final do século XIX, são realizadas obras civis e religiosas de importância fundamental para a chegada século XX, destacando-se um notável desenvolvimento industrial.



Exibir mapa ampliado



Castelli Scaligeri

Os 2 castelos são os pontos turísticos mais importantes da cidade. O que vemos hoje dos castelos são a versão existente construída por Antonio Della Scala, senhor de Verona, na segunda metade do século XIV.


Historiadores, dizem que já haveria um castelo fortificado desde o ano 1000 no alto do morro com vista para a cidade histórica de Montecchio Maggiore, na verdade, poderíamos dizer que a cidade se desenvolveu no pé da colina do castelo.


O Castello Della Villa (Castello di Romeo) é um belo documento da arquitetura militar, mesmo que as ameias tenham sido destruídas, as restaurações efetuadas nas últimas décadas acabaram transformando-o em um teatro ao ar livre, aberto ao público, com sessões de cinema e outros eventos.


A torre de menagem, é agora usada como espaço para exposições, que se estende ao longo de cinco andares ao topo, sendo visível pelos vales vizinhos.

O Castello Della Bellaguardia (Castello di Giulieta) foi construído com o objetivo de observar a planície entre Verona e Vicenza no ponto mais alto da colina.

As restaurações adaptaram este castelo para receber um charmoso restaurante que opera regularmente a partir dos anos 50.

Ristorante Giulietta e Romeo - http://www.ristorantegiuliettaeromeo.it/

A tradição diz que as duas famílias Montecchios e os Capuletos, da história de Romeu e Julieta, realmente existiram e habitaram os 2 castelos.

As duas famílias, eternas inimigas, foram confiadas as fortalezas de Montecchio pelo senhor de Verona, Cangrande della Scala, para uma reconciliação e aproximar-los na missão de proteger o território.

A intenção foi em vão, mas ali nasceu o amor de grande obstáculo que acabou em final trágico na cidade de Verona.


História foi narrada pela primeira vez em 1524 por Luigi Da Porto Vicenza, no final desse século, e depois inspirou o gênio de William Shakespeare.

Video di Castelli di Montecchio Maggiore



Villa Cordellina Lombardi

O imponente edifício no complexo com seus anexos podem ser considerados um dos mais importantes vilas venetas do século XVIII.


Criada 1735-1760 com desenhos do arquiteto veneziano Giorgio Massari, abriga no salão central do piso principal, um notável "ciclo di affreschi" de Giambattista Tiepolo.


Restaurada entre os anos de 1953 - 1956 por Victor Lombardi, empresário industrial de Brescia, financiador da expedição italiana ao topo do K2, em 1954, queria reformar a casa de campo o mais fiel possível ao seu esplendor original.

Desde 1970 é propriedade da Administração Provincial de Vicenza, que a utiliza para fins culturais e aberto ao público visitante.



O "ciclo di affreschi" é uma celebração da exaltação das virtudes da razão sobre a paixão, a intolerância e a superstição, um tema caro à filosofia iluminista que, em meados do século XVIII, havia conquistado toda a Europa.

De especial relevância artística também a composição de esculturas originais ainda está preservada, no jardim e na fachada da casa de campo.

O complexo do palácio inclui a casa, os estábulos de cavalos e casas de hóspedes, além de estábulos rústicos e celeiros para recolher os alimentos nos campos.

Duomo di Santa Maria e San Vitale

É um edifício neo-gótico que data de 1892 que abriga os altares e obras de arte da antiga igreja paroquial demolida.


Este edifício tinha origens antigas antes do ano 1000 e foi a igreja matriz de todos os edifícios sagrados dos vales de Chiampo e dell’Agno.


Na Catedral há uma preciosa pintura do século XVIII feita por Antonio De Pieri, pintor de Vicenza, um trítico de pedras preciosas de origem século XV, que tem origem na antiga igreja paroquial, outras obras menores século XIX e uma série de obras recentes, entre eles uma Via Crucis e um grande crucifixo pintado de acordo com a igreja gótica do século XIV.



Vídeo das atrações de Montecchio Maggiore

quinta-feira, 4 de março de 2010

Cantina Mamma Celeste no Bixiga

Um sábado desses, fui com a família passear no bairro do Bixiga pra ver algumas coisas de decoração e comprar um lustre antigo pra nossa sala de jantar. Como estávamos por lá, não poderíamos deixar de comer em uma das cantinas italianas do bairro.

Na loja de antiguidades, depois de comprar o lustre, fomos perguntados por duas cariocas perdidas em sampa, sobre onde teria uma cantina boa e não tão cara para almoçar. A atendente da loja tomou a frente e foi bem direta: Desçam a rua aqui e lá embaixo depois da padaria basilicata, quase na esquina tem a cantina da Mamma Celeste, vale a pena.

Bom, seguindo o conselho da senhora, que parecia muito convicta, descemos a pé a rua, passamos pela basilicata pra comprar umas coisinhas e seguimos para a cantina.

A cantina é bem simples, na entrada, várias fotos da família na parede, antigas em preto e branco, com uma decoração não tão chamativa nem tão abusada quanto aquelas típicas cantinas do Bixiga que até fantasiam os seus garçons de dancarinos de tarantella.

Achamos uma mesa e pedimos um cadeirão para acomodar o pequeno Bruno que já estava querendo o seu almoço. Dali mesmo avistamos as cariocas já comendo o couvert, fizemos o mesmo e pedimos um vinho italiano pra acompanhar.

Pedimos 2 pratos de pasta caseira, um filetto alla parmegiana e mais um macarrãozinho pro Bruno. O meu prato estava muito bom, uma pasta ao sugo com gorgonzola e azeitonas pretas. O parmegiana também estava ótimo, bem grosso e suculento, muito bem servido.

Enquanto comíamos, avistei chegar uma amiga minha dos tempos de agência que fazia anos que não encontrava. Logo ela cumprimentou a primeira mesa e fiquei ali de olho até que ela fosse a nossa mesa, fiquei na dúvida se ela ia me reconhecer. Ela me avistou e logo veio me abraçar e a surpresa...Ela hoje é a chef da cantina e sócia, pois a família dela é dona da cantina a um tempão. Marta Fuzinato, ex-publicitária de agência agora chef de cozinha da cantina Mamma Celeste no Bixiga, quem diria, pensei eu.

Depois da surpresa, ela nos mostrou as fotos da família Fuzinato na parede da cantina. Ela é filha da Mamma Celeste e contou um pouco da história da cantina e da família antes de ir para a cozinha pegar no batente.

A comida estava ótima, a surpresa foi muito boa e estava por vir uma ainda melhor: a conta.
Quando chegou a maledetta, achei que estivesse errada. Nosso almoço com vinho italiano, couvert pra 2 pessoas, 2 pratos de massa, um parmegiana e mais um mini prato pro Bruno, tudo isso saiu por R$ 100,00.

Bom, essa é a minha dica pra quem quer comer muito bem e barato no Bixiga, vale muito a pena, não gasta muito, preço mais do que justo e come uma bela pasta caseira da melhor qualidade.

Cantina Mamma Celeste
Chef: Marta Fuzinato
Endereço: Rua conselheiro carrão, 460 - Bixiga - São paulo
Tel: 3284-4854
email: mammaceleste2004@hotmail.com

Veja aqui a materia do Fantástico do dia 02/09/2012 onde aparece a Mamma Celeste:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681662-15605,00-MAGO+DA+COZINHA+REINVENTA+CLASSICO+DA+CULINARIA+ITALIANA+O+NHOQUE.html

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Brasileiros que falam italiano

Entre os anos de 1875 e 1935, aproximadamente 1,5 milhão de italianos resolveram habitar o Brasil. Esses habitantes italianos geraram 25 milhões de descendentes, uma proporção de 15% do total de habitantes brasileiros, contabilizando a maior população de origem italiana fora da Itália.

Assim fica muito fácil entender porque no Brasil quase 1,5 milhão de habitantes falam italiano como segunda língua ou sendo usado em comunidades e famílias, totalizando assim a maior população fora da Itália.

1 Brazil 1,500,000
2 Argentina 1,500,000
3 USA 1,008,370
4 France 1,000,000
5 Canada 661,000
6 Germany 548,000
7 Switzerland 500,000
8 Venezuela 400,000
9 Australia 353,605
10 Belgium 250,000
11 UK 200,000
12 Egypt 72,400

O total de pessoas que falam italiano como língua nativa são cerca de 70 a 80 milhões, quase a grande maioria na Itália (55 milhões), seguido por San Marino, Malta, Suiça e o Vaticano, todos países com usam o italiano como língua oficial.

Cerca de 150 milhões de habitantes em todo o mundo falam o italiano, falado também em locais como a Ístria, Eslovênia, Croácia, Córsega, Nice, e em antigas possessões italianas como a Albânia e em certas partes da África, que incluem a Etiópia, Líbia, Tunísia e Eritreia.

Ainda hoje, esta língua derivada do Latim é bastante difundida aqui no Brasil nas regiões onde os italianos se instalaram, principalmente no sudeste entre São Paulo e Rio Grande do Sul.
Os motivos são geralmente culturais, descendência familiar, comunidades, pessoas que trabalham em empresas italianas e amantes da moda, design, cinema, música, literatura e artes plásticas.

Nas escolas brasileiras públicas ou privadas de ensino fundamental e médio, algumas delas têm na grade regular o ensino do italiano. É o exemplo de algumas escolas em São Caetano na grande São paulo, na capital paulista como o colégio Dante Alighieri e em outras cidades principalmente no interior do Rio Grande do Sul.

Uma parte significativa da imigração italiana se concentrou no Sul do Brasil, onde foram criadas várias colônias rurais isoladas quase sem comunicação alguma entre si. Isso contribuiu muito para o enraizamento do italiano nestes locais. A maior parte deles concentram-se nas nas zonas vinícolas do Rio Grande do Sul onde o idioma persiste até hoje sendo falado por milhares de brasileiros. Nessa região e em Santa Catarina, além do italiano, algumas comunidades falam o Talian, que é um dialeto Vêneto, devido a grande concentração de pessoas que vieram dessa região da Itália.

Entre 1875 e 1960 cerca de mais de 500 jornais eram impressos em talianos aqui no Brasil, incluindo jornais, semanais, quinzenais, mensais e tiragem únicas.

Principais jornais em italiano no Brasil

Título / Tiragem

Italiani no Maranhão / 800
Affari / 15.000
Corriere lucchese / 5.000
Emigrazione / 5.000
Il titano / 5.000
Italo / 5.000
La settimana del fanfulla / 30.000
L’Italia del popolo / 11.000
Il corriere del Cib / 4.000
Insieme / 10.000
Correio riograndese / 21.000
La voce d’Italia / 5.000
Italia Nossa / 4.000
Mondoitaliano / 750
Comunità italiana / 20.000
Oriundi / 8.000

Além dos impressos em língua italiana, existem muitas rádios e TVs locais que transmitem a sua programação integralmente em italiano para a comunidade.
Esses pequenos comunicadores em massa mantem vivo o idioma e os custumes para os Oriundi e descendentes.

Rádios italianas no Brasil:

Nome / Local

Con l’Italia nel cuore del Rio Grande / Faxinal do Soturno R.S.
Coral Alegria Francescana / Marau R.S.
Fundação cultural Planalto / R.S.
Fundação Radio e Televisão do Paranà / Curitiba Paranà
Il ritorno alle origini- Italia innamorata / Nova Venezia S. Caterina
Italia bella Italia / São paulo
Italia Romantica / São paulo
La voce d’Italia nel cielo del Brasile / Paraná
Radio Bento Gonçalves / Bento Gonçalves R.S.
Radio diffusora Garibaldi / Garibaldi R.S.
Radio emissora Dabarra / Barra Bonita S.P.
Radio impresa fm 102.1 / Rio de Janeiro
Radio Italia / Botucatu S.P.

Televisão em italiano no Brasil

Nome / Local

Italia bella Italia / São paulo
Italia Romantica / São paulo
La voce d’Italia nel cielo del Brasile / Paraná


Afinal, Siamo tutti italiani...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Brunello di Montalcino safra 1999, enfim dugustado.

Essa semana, com um pouco mais de tempo, conseguimos finalmente comemorar uma série de conquistas e mudanças, resolvemos fazer um jantarzinho na casa nova e abrir um presente que estava guardado há mais de 2 anos esperando por uma bela ocasião.

Meados de julho de 2007, verão na Europa, Eu e mia moglie estávamos em Firenze, obra de arte a céu aberto. De lá resolvemos fazer um caminho pelas vinícolas da toscana por estradelas que são mais demoradas no trajeto, mas que nos possibilitavam parar em cada vinícola para degustar os vinhos.

No caminho fomos de cidade em cidade e de taça em taça passamos por Greve in Chianti, San Giminiano e Montalcino, esta última cittá famosíssima pelo vinho Brunello di Montalcino, e claro que não poderíamos de deixar de provar essas iguarias toscanas e porque não, trazer algumas pro Brasil.

Depois de passar por várias vinícolas, buscando o Brunello perfeito, passamos por uma que realmente chamou a atenção. Paramos o carro naquela área para estacionar coberta de pedregulhos em frente a um casarão feito de pedras ao estilo toscano - nosso sonho de consumo - e fomos até a cantina que ficava no pavimento inferior a uma temperatura que parecia até ter ar condicionado. Pedimos para degustar o Brunello de 1999, a safra que eu estava procurando, já que foi uma das melhores já colhidas na Itália.

Geralmente a pessoa que nos atende, serve o vinho e fica esperando um veredito ali mesmo olhando pra sua cara. Talvez até por um ato de intimidação, as pessoas nem gostam tanto e fazem um OK como se tivessem aprovado o vinho. Mas não foi esse o caso, a pessoa serviu o Brunello e deixou a gente bem a vontade, saindo da sala para fazer outras coisas.
Nesta hora, eu olhei pra Cá e falei: "Bom, né?"

O nome da vinícola é Azienda Agricola Piombaia e além da cantina onde serviam os vinhos, havia uma pequena osteria (L'Osteria la Crocina) onde há pratos típicos da toscana e os vinhos da própria fabricação para acompanhar.

Apesar de termos adorado o vinho, ainda faltavam algumas vinícolas pelo caminho para provarmos. Agradecemos e voltamos para a estrada na busca do Brunello perfeito.

Passamos por mais 2 ou 3 vinícolas, todos os Brunellos de 99 que provamos não chegavam perto daquele que havia deixado aquele aroma intacto na boca.

Não tivemos dúvida, voltamos cerca de 30 KM do nosso trajeto para buscar aquele Brunello e aproveitamos para almoçar na osteria que parecia muito boa e realmente era. Mangiamo una pasta na parte de fora da osteria, em uma parte cercada de vidros, que deixava o ambiente bem ensolarado.

Em 2007, pagamos 30 euros pela Brunello, convertendo pra aqui, seria cerca de 100 reais no Brasil, mas um Brunello di Montalcino da safra de 1999, você dificilmente encontra aqui no Brasil por menos de 200 reais, aliás até mesmo esta safra é difícil de encontrar. Segundo o guia de safras históricas da Itália, melhor que esta só a de 1998, mas a diferença de preço é quase o dobro.

Na página da vinícola, o preço dele hoje esta 40 euros e o de 1998 esta 80 euros

Ao voltar para o Brasil, embalado em plástico bolha e com todo o cuidado do mundo, o vinho ficou em casa desde então, na horizontal, temperatura ambiente e sem luz direta apenas aguardando o momento sublime de ser degustado.

Estávamos ensaiando para abri-lo há um tempão, lógico que teria que ser em uma ocasião especial. A primeira que surgiu foi o nascimento do meu filho Bruno, mas como a patroa não poderia beber nada alcoólico logo após o parto e o fato de ter um bebê recém-nascido em casa não ajudou muito, não seria justo abrir o vinho e não curtir com ela como imaginamos. A comemoração era mais que perfeita, mas não a aproveitaríamos como deveríamos.

Vamos então esperar a próxima ocasião quando o Bruno estiver crescido e o Brunello envelhecido um pouco mais.

A próxima ocasição surgiu 1 ano e 2 meses depois, quando finalmente mudamos para o nosso apartamento que tanto estavamos esperando.

A Cá preparou um risotto alla margueritta (manjeiricão, mozzarela de búfala, tomate e parmesão ralado) acompanhado de carne vermelha pra exigir bastante de um rosso italiano bem encorpado, medalhões de filet mignon.

Colocamos o pequeno Bruno pra dormir e o Brunello finalmente acordou!

Depois de 10 anos ele libertou todo o seu aroma e robustez que estavam presos aguardando o momento certo para explodir em um buquê que dominou o meu paladar.

A cor típica que indica um vinho mais velho, o vermelho alaranjado, trouxe também um pouco de nostalgia como se houvéssemos voltado naquele verão europeu de 2007 quando compramos o vinho na Toscana, parecia que um filme que misturava som, imagens e sabores estava passando em nossas cabeças naquele momento.

O prato combinou perfeitamente com o vinho, nada brigou com nada, uma perfeita harmonia valorizando apenas o jantar em si. Sou suspeito, mas posso dizer que ela tem aprimorado o risotto a cada dia.

O vinho ficou, aquele gosto que persiste na boca, nada comparado aos vinhos leves, jovens e vermelho violeta que tomamos no dia-a-dia, este vinho fica na boca e ficou na mente, assim como aquele momento.

Ma che bella cena!! Mangiamo troppo!
Grazie a Dio!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um pedacinho da Itália está em São Paulo até 30 de setembro

Acho que muitos descendentes de italianos sempre tiveram a vontade de estar na Itália, conhecer a nação onde seus antecedentes nasceram.
Apesar da distância que separam os 2 países, e o valor de uma viagem que não é barata para boa parte dos brasileiros, um pouquinho desta viagem pode ser feita aqui mesmo em São Paulo. Esta exposição é uma pequena amostra do quanto a Itália é interessante além de ainda poder ganhar a promoção e viajar realmente para a velha bota.

Essa exposição é muito interessante e gratuita, instalada na praça de eventos do Central Plaza Shopping em São Paulo, reproduz através de cenários muito bem elaborados, algumas das maiores belezas da Itália.

Os cenários mostram um pouco de cada uma das principais atrações turísticas da Itália e a sua história. A viagem começa com uma réplica cenográfica de 4,5 metros de altura da Fontana de Trevi, que fica em Roma e já foi muitas vezes palco para vários filmes. O ambiente inclui até uma piscina para atirar moedas.

“É um verdadeiro convite cultural. E tem despertado a atenção de todos que passam pelo local. Tornou-se um ambiente de entretenimento, de conhecimento e até de saudade por parte de quem já teve a oportunidade de conhecer o país”, comenta a idealizadora do projeto, Mari Viana, diretora da Biblioteca de Idéias

Outra atração é uma maquete de 3 metros de altura reproduz o monumento Torre de Pisa, um dos pontos turísticos mais visitados da Itália. A próxima parada é Veneza. A reprodução está tão perfeita, que o visitante se percebe integrado com o cenário.

“Ao tirar uma foto, por exemplo, parece que se está em Veneza, é criada uma realidade visual. A gôndola, que leva os turistas aos mais belos passeios pelos canais da cidade, também compõe o cenário, e foi construída com estrutura de um barco original”, explica Mari Viana.

O Vaticano, que na verdade é um país dentro da Itália, foi representado por painéis e muitas fotos. “Num cenário de 150 metros de diâmetro, a seleção dos temas sintetizou o que a Itália pode oferecer e muito mais”, completa a assistente executiva da Agência Nacional Italiana de Turismo, Rosana Lopreiato.

Milão, a mais rica das cidades italianas, é representada por painéis expostos, vídeos de desfiles e estilistas, lojas de super grifes, enfatizando a importância desse segmento para o mundo, principalmente para o país.

Roma, é mostrada em três realidades distintas que convivem em harmonia em um mesmo espaço. Ou seja, Roma por inteiro, (Roma atual – capital da Itália), a Roma antiga e Roma cristã.

Não esqueceram da presença da Itália no futebol, com seus principais times e uniformes da seleção, da presença da Itália no cinema, na arte e ciência, gastronomia e nas festas em homenagem aos seus santos devotos — um painel destaca a comemoração de San Gennaro e outras festas já incorporadas ao nosso calendário.

“É importantíssimo trazer a Itália perto do povo brasileiro porque é uma nação muito presente entre nós, principalmente no Sudeste e Sul do Brasil, quando, em meados do século XIX, chegaram os primeiros imigrantes italianos, que deixaram as suas marcas na nossa formação e, o mais importante, na alma das pessoas que admiram as suas tradições, cultura e arte”, apóia a mestre em história pela UNESP, Universidade Estadual Paulista de Franca-SP, Liamar Tuon.


Além disso muita coisa sobre a imigração italiana no Brasil. “O período em que o Brasil mais recebeu imigrantes foi de 1880 a 1920. Eles passaram por muitas dificuldades, aqui o trabalho era duro e as condições de vida mais adversas. O trabalho, antes realizado pelos escravos nas fazendas de café, passou a ser feito pelos imigrantes. Também vieram os que já possuíam algum ofício, uma profissão artesanal, como pedreiro e sapateiro”, conta a historiadora.

Segundo estimativa da embaixada italiana no Brasil, vivem no país cerca de 25 milhões de descendentes de imigrantes italianos. “A cultura italiana, de forma geral, se misturou e ajudou a formar a nossa história, comportamento e costumes”, conclui o diretor de criação da Biblioteca de Idéias, Duda Januzzi.

“A exposição multimídia resgata aspectos importantes da imigração italiana, apresentando um passado desconhecido para a maioria dos visitantes”, complementa o professor de história, João Bonturi.

Há também muita interação com o público, promotores falando italiano ajudam os visitantes a formar a árvore genealógica da família em busca de sua raiz. As pessoas ainda podem consultar um site no local para saber sobre a chegada dos antepassados no Brasil por meio dos sobrenomes, basta ter apenas o nome e a data da entrada.

Quem for à exposição, recebe também um cupom para participar de um concurso cultural. O autor da melhor frase será contemplado com uma viagem à Itália, com direito a acompanhante.

Local da exposição: Central Plaza Shopping, praça de eventos
Endereço: Av. Dr. Francisco Mesquita, 1.000 | Vila Prudente | São Paulo-SP
Evento: exposição sobre a Itália nos 10 anos do Central Plaza Shopping
Data: até 30 de setembro
Entrada e estacionamento gratuitos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pinturas da Itália

Recebi um daqueles PPTs por email com algumas imagens de pinturas de paisagens da Itália, muitos cenários de Veneza, Florença e alguns outros de cidadezinhas da Toscana.

As pinturas são muito boas, algumas parecem realmente reais, outras mais parecem com um daqueles filtros do photoshop, mas é um trabalho realmente muito bem feito à mão por uma americana de Los Angeles conhecida por Mckenzie.

Ela conseguiu captar algumas belas cores da Itália, cores do entardecer, do pôr-do-sol e do comecinho da noite, mas o mais impressionante são os reflexos na água. Me falaram que uma das coisas mais difíceis de pintar é a água, é muito complicado e muito difícil reproduzir com perfeição reflexos e a textura, parece que nesse quesito ela foi bem.

Desconheço o motivo de tantas pinturas da Itália, deve ser uma grande simpatizante do país e de suas cores, coisas que não conseguimos explicar em palavras e imagens, só estando lá pra ver e sentir.

Seguem as imagens da pintora, o site dela é bem ruim, mas tem lá algumas das fotos que estou colocando aqui: