sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vinho Italiano Castello Maggiore Valpolicella

Meu objetivo agora é dividir tudo que encontro que é bom e barato, que vale a pena realmente consumir, afinal qual é o mérito de dividir com alguem um serviço ou produto que é bom e caro? Se a coisa é cara ela não pode ser boa, tem que ser ótima.

Isso não quer dizer que não aprecio produtos caros, consumo sim, por exemplo trouxe um Brunello di Montalcino, safra de 99, da Itália que custa por aqui uns R$ 100 reais a garrafa, este vinho realmente vale a pena, mas tenho tomado por aqui alguns vinhos na faixa dos R$ 50 reais que não valeram o investimento, nestes casos, fico com o bom e barato, o vinho do dia-a-dia.

Este é o caso do Castello Maggiore Valpolicella, que acabei conhecendo em um daqueles meus almoços em cantinas de São Paulo, ao pedir uma lasagna de berinjela, decidi beber uma taça de vinho italiano para acompanhar, e o mais indicado foi o Castello Maggiore Valpolicella, que por incrível que pareça, não é caro e esta na faixa de preço de um vinho sul-americano médio.

Gostei muito do vinho, a primeira impressão foi de ser um vinho mais suave que os outros italianos, chegando quase a suavidade dos vinhos Australianos ou Sul-Africanos.
Além de ser suave, ele é bem frutado e muito fácil de beber, acompanhou muito bem o prato, mas não deixa marcas muito fortes no paladar.

O Vinho Castello Maggiore Valpolicella, é da região do Vêneto, não é fácil de encontrá-lo aqui, não é vendido em supermercados, pelo menos não achei um que vendesse, ele é mais encontrado em restaurantes, mas é vendido em algumas distribuidoras de bebidas por um preço em média de R$ 22,00 a garrafa. Esse preço, é o que se paga por um vinho Argentino ou do Chileno simples, por ser um vinho europeu, ele está bem em conta, fazendo uma simples comparação.

Além da uva Valpolicella, este vinho também é vendido nas versões Merlot, Cabernet, Montepulciano d'Abruzzo, entre outras. O Merlot e o Cabernet cultivados na Europa, eu prefiro não arriscar, agora o Montepulciano parece ser bem interessantes.

Dica para comprar: Reluma

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Tetsuo Segui, um olhar diferenciado da cidade



Enquanto aguardava a minha mulher ser atendida, em um consultório médico de São Paulo, reparei em algumas fotos espalhadas pelas paredes, grandes fotos de São Paulo, com um olhar bem diferente da cidade, aquelas coisas que poucas pessoas conseguem ver.

O cardiotoco que ela fez para saber se o Bruno estava bem não demorou muito, mas deu vontade de ficar lá mais um pouquinho pra ver aquela mini-exposição, fiquei realmente impressionado com a qualidade das fotos, pra falar a verdade não parecia nem um pouco a cidade onde moro.

Assim que consegui, anotei o nome do fotógrafo, pois gostaria de conhecer um pouco mais do trabalho dele, mas acabei não achando muita coisa na WEB quando cheguei em casa.

Achei um material em baixa qualidade de uma exposição de fotos em comemoração dos 50 anos do Parque do Ibirapuera que ele fez, não eram as mesmas fotos que vi no consultório e a qualidade não ajuda muito, mas dá para ter noção de como a cidade é linda vista por este olhar diferenciado do fotógrafo Tetsuo Segui.

Vou procurar mais coisas dele, se achar, posto aqui.

Aproveitem:









O trabalho completo está aqui

terça-feira, 16 de setembro de 2008

La reggiana - Restaurante e Rotisserie no Brooklin

Provar uma pasta italiana não é tão barato assim para comer frequentemente em restaurantes aqui em São Paulo, quase todos eles são caros e 2 pessoas acabam deixando pelo menos 3 dígitos ao sair do local, isto falando em locais razoáveis, pois a alta cozinha italiana de São Paulo é uma das mais caras do mundo.

Esta diversidade de preços e qualidades é o que faz de São Paulo um dos maiores pólos gastronômicos da comida italiana fora da Itália.

Mas falando em comer bem e barato, a Rotisserie La reggiana é um restaurante com cara de padaria, fundado em 1967 pela família Fialdini, que faz pratos deliciosos e massas caseiras de ótima qualidade.

A casa fica na Avenida Morumbi na zona sul de São Paulo, durante a semana, na hora do almoço, a rotisserie tem um movimento intenso de pessoas que trabalham ali perto. Como o salão é pequeno, as pessoas podem sentar em um salão interno, que o acesso é feito pela cozinha, entre cozinheiros, panelas e fornos, ou até mesmo na mesa do gerente.

O local é simples, muito limpo, atendimento muito bom e recheado de antepastos (antipasti) como: sardela, azeitonas, patês variados, mozzarelas de bufala, pães italianos, abobrinha recheada de tomate seco, berinjela assada, cantucci, muitos doces, tudo pode ser pedido no balcão.

Os pratos individuais, pratos da semana, saem em média por 14,00 reais, a lasagna é muito boa, fresca e assada na hora, melhor ainda acompanhada por uma taça de vinho chileno (Aresti cabernet sauvignon 2005) que sai por 6,00 reais. Ainda há uma variedade muito grande de massas, todas feitas na casa, especialidade da casa.

Qualidade e preço, uma boa opção para comer uma pasta durante a semana, sem ficar com o peso na conciência depois de passar o cartão no caixa, mas cuidado para não passar muito pela cozinha para não ficar defumado.

La reggiana - Restaurante e Rotisserie

Av. Morumbi, 8567
Brooklin - São paulo
Tel: 5095-9900

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

História da Famiglia Della Negra - parte II

Ahhhaaaah! Meu filho acabou de nascer! Bruno Della Negra, dia 22 de agosto de 2008, bonitão, com 2 semanas e já tem cara de moleque, nasceu com 3,700 kg e 51 cm, às 16h56min. **

Em comemoração a este novo membro da família, continuarei a contar aqui a história da italianada que chegou no porto de Santos pra trabalhar em São Paulo e que trouxe o sobrenome que ele levará pelo resto de sua vida.


Veja aqui a primeira parte desta história - História da Famiglia Della Negra

Depois de conseguir alguns indícios da origem da família, decidir fazer a viagem a Europa, não só para conhecer a Itália, mas aproveitar e conhecer a Espanha, já que também tenho sangue espanhol por parte de mãe. Impressionante como apesar de ser mais espanhol do que italiano, sou neto de espanhois e bisneto de italianos, o sobrenome que carrego me faz muito mais italiano do que espanhol, no meu caso, o sobrenome define muito mais a minha origem do que o meu sangue.

Minha idéia inicial era chegar em Madrid e de lá alugar um carro para ir até Roma, passando por várias cidades da Espanha, França e Itália.
Foi o que fizemos, 30 dias conhecendo cidades dos 3 países: Na Espanha: Madrid, Toledo, Segovia, Sevilla, Granada, Almeria, Peniscola, Valencia, Barcelona. Na França: Avignon e Mônaco. Na Itália: Castell' Arquato, Verona, Montecchio Maggiore, Arzignano, Venezia, Firenze, Greve in Chianti, San Giminiano, Siena, Montalcino e Roma.

A viagem simplesmente foi maravilhosa, perfeita em cada detalhe de cada lugar que conhecemos, mas quero contar um pouco mais de um lugar especial e que faz parte da minha história: Montecchio Maggiore, uma cidade muito pequena que fica próximo de Vicenza e de Verona.

Ao chegar em Montecchio Maggiore, a primeira coisa foi procurar um local para dormir, algo que fosse barato para passar apenas uma noite. Achamos uma pensão com um restaurante em baixo por 50 euros para o casal com café da manhã, e ficamos por lá.

Como toda cidade pequena da Itália, é muito tranquila sossegada, muitos poucos carros na rua e uma pequena praça central com uma bela igreja que tem uma torre de sino muito alta.

Por incrível que pareça, esta cidade é conhecida na Itália por causa da história do Romeo e Giulietta.

Existem 2 castelos medievais ficam um do lado do outro no topo de 2 montanhas, Um deles é o castelo dos Montecchio e o outro castelo é dos Capulettos, do nosso quarto dava para ver os dois, a imagem é realmente impressionante, parece que colocaram os castelos lá de com a mão.

Dizem por lá que estas 2 famílias realmente existiram e a história de William Shakespeare é verdadeira. Aliás é um insulto se você desconfiar da autencidade dessa história em Montecchio Maggiore. Diferente de como é conhecido, não é em Verona o verdadeiro lugar da história dos dois amantes. Em Verona apenas existe a Casa di Giulietta, mas é em Montecchio Maggiore que ficam os castelos das 2 famílias inimigas.





Mais legal ainda é que dentro destes castelos são feitos alguns eventos que toda a cidade comparece, por exemplo, quando estavamos por lá, estavam passando algumas sessões de cinema a céu aberto dentro do Castello di Romeo. Além de cinema, os castelos abrigam peças de teatro e algumas festas locais. Em uma das noites que passamos lá, fomos jantar no restaurante que fica dentro do Castello di Giulietta, maravilhoso e caro, mas vale a pena pelo clima de romance que paira no ar, restaurante que funciona só a noite e que depois vira uma balada, muito frequentada pelos moradores.

Bom, mas o meu principal objetivo de estar lá não era conhecer os castelos e sim ir até a Comune di Montecchio Maggiore para tentar procurar a certidão de nascimento do meu bisavô, Giuseppe Della Negra, que poderia ter nascido lá, já que seu irmão nasceu.

Fui até a prefeitura e entreguei um papel com um pedido formal a comune solicitando o documento e protocolei o pedido, foi o máximo que consegui lá. Havia uma fila de pessoas tentando protocolar outros documentos, não iria gastar meu tempo em filas na Itália, mas consegui pelo menos o protocolo.

Outra tentativa minha foi buscar na igreja principal da cidade o livro de batismo da década de 1890 para tentar buscar o nome dele, mas entrei na igreja sozinho, não havia ninguem dentro, procurei o padre naquele ambiente sombrio e aquele silêncio mórbido e não consegui encontrar nenhum ser vivo, acho que nem os mortos estavam por lá.

Fiquei um pouco decepcionado por não conseguir nada além de um documento protocolado e uma boa impressão da cidade, nenhuma certidão, nenhuma dica a mais. Sentei em um café ao lado da igreja e fiquei ali olhando aquela cidade pacata, aquele silêncio, e agora?

Depois de 1 dia e meio na cidade decidimos seguir viagem, mas antes queria checar uma coisinha ali perto.
Dirigi por quase 20 KM até chegar em Arzignano por um caminho lindo, uma estradinha pequena e cheia de vinícolas. Decidi passar por lá pois tinha ficado muito curioso sobre o texto de uma casa de veraneio que fica lá.

Veja aqui o texto que eu traduzi e a primeira parte desta história - História da Famiglia Della Negra

Chegando em Arzignano, liguei de um orelhão para o dono da casa que consegui na internet. Logo fui contando a história a ele sobre a minha vontade de conhecer a casa. Ele ficou impressionado por saber que um Della Negra vindo do Brasil havia acabado de ligar pra ele em Arzignano.

Meu italiano não era tão afiado, mas deu pra explicar exatamente o que eu queria.
Em 15 minutos, depois da explicação de como chegar lá, fomos até a casa para conhece-lo.

O nome dele é Gustavo Mistrorigo, ele é um velhinho desajeitado que cultiva uva no terreno da casa. A casa é enorme e bem antiga, com móveis antigos por todo o lado, mesas de madeira maciça e tem até um fogão à lenha na cozinha.


Parecia que eu estava no século XVII, a casa muito bem cuidada tinha alguns artefatos que pareciam de um museu.
No porão da casa ficava um tonel gigante de carvalho e os equipamentos para fazer o vinho que ele mesmo fazia com as uvas que plantava e colhia no quintal. O tonel devia ter a capacidade de uns 500 litros, ele disse que o tonel foi colocado lá no porão antes de contruírem a casa, fazia sentido, porque não havia como passar aquele tonel gigantesco pela porta.

Papo vai, papo vem, com ele e a mulher dele, tomando um vinho branco espumante de sua própria fabricação, fiquei sabendo que a família Della Negra foi uma família nobre naquela região e que tiveram muitas posses. Hoje em dia ele não conhece mais ninguém da família, desde quando a família Mistrorigo tomou posse daquela casa que ele não ouve falar de um Della Negra.

Inclusive, na história que ele conta naquele texto da Internet e que seus avós contaram para ele, a família Della Negra havia sido extinta por uma maldição da igreja, por isso o espanto dele quando eu liguei e disse que era um Della Negra vindo do Brasil!

Ficamos conversando por algumas horas, ele curioso sobre o Brasil e como os Della Negras haviam chegado tão longe, e eu louco para saber mais da minha família.

O casal de velhos ficou tão espantado que pediu para tirar algumas cópias dos documentos do meu avô e do brasão da família, ele queria deixar lá guardado de recordação, uma prova viva de que a família não havia sido extinta, histórias da inquisição.
Dava pra ver o espanto nos olhos do casal, acho que até hoje eles não entenderam nada do que aconteceu naquele dia, o casal de velhinhos da pacata cidade de Arzignano estava simplesmente atônitos com a minha história e de como eu encontrara aquela casa.

Eu estava mais espantado ainda, respirando o ar que um dia foi respirado pelos meus antepassados, bebendo o vinho que passara pelo tonel que um dia eles também beberam, incrível!

Aquele dia ficou pra sempre na minha memória, ainda lembro de cada momento, cada minuto que estive lá. Uma experiência que não dá para esquecer nunca mais.

Ainda espero um retorno de Montecchio Maggiore sobre os documentos do meu bisnonno, apesar de querer ter uma prova, algum documento dele, acho que depois dessa viagem, qualquer coisa já é lucro, afinal, eu já havia conhecido muita coisa que nunca imaginei conhecer sobre mim.


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**Este texto é uma homenagem ao meu filho, Bruno Della Negra, que acabou de nascer e que um dia vai querer descobrir as suas raízes, assim como o seu pai.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Don Carlini - Massa caseira tradicional da Mooca

Ao visitar o Memorial do Imigrante no Brás, tive a idéia de aproveitar e almoçar ali perto pra não precisar sair e perder mais tempo indo para algum outro bairro.

Lembrei que havíamos ido a um restaurante ali perto em um casamento de uma amiga da minha mulher. Bom, minha primeira impressão foi: Casamento em um restaurante no Brás? Nossa...

No final, o casamento era bem simples mesmo, mas a comida do restaurante me chamou muito a atenção pela suavidade das massas, comi muito e não sai de lá cheio.
Depois do casamento: E ae? Vamos voltar aqui?? Vamos sim!

Ao chegar no restaurante, não me lembrava muito bem, mas a entrada era pela garagem em um galpão, como havíamos ficado por ali, não conhecia o interior da casa.

O lugar é enorme com vários ambientes, uma sala de um imenso casarão antigo muito aconchegante com ladrilhos hidráulicos no piso e janelões de madeira. Na parte externa, em um jardim, ficam as outras mesas do pavimento inferior. No pavimento superior é servido o serviço de buffet de massas, como foi servido no casamento que fui.

De entrada para começar, alguns pasteizinhos de queijo, para matar a fome e esperar a comida, que chegou sem demora.

A massa é artesanal, feita no próprio local, muito suave e leve, não pesa no estômago e é al dente, nem muito mole, nem muito dura, perfeita.
A especialidade da casa são as massas regadas ao molho triplo burro, que abusa da manteiga, muito bom com o rondelli com champignons que provei.
Minha mulher provou um raviolini di espinafre recheado di vitelo, delicioso, em uma porção ideal, muito suave.

O ponto forte da casa fica por conta das massas caseiras e o molho triplo burro. O ponto fraco, pra mim, é a carta de vinhos, achei ela com muito pouca variedade de vinhos e de preço.

O preço do Buffet completo do piso superior é em torno de 50 reais por pessoa com sobremesa, o a la carte, onde comemos, fica em torno de 30 a 40 reais cada prato individual.

As massas são simplesmente deliciosas, uma das melhores massas que já provei, um lugar tranqüilo, e muito tradicional, ideal para levar a família e comer uma verdadeira massa da italianada da Mooca.

Na saída você ainda pode comprar as massa que são produzidas lá na parte de fora do restaurante: grano duro, massas frescas, molhos e doces.
Vale muito a pena conhecer.

Don Carlini
Rua Dona Ana Neri, 265
Mooca - São Paulo

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Domingo no Memorial do Imigrante de São Paulo

Este domingo passado fez muito sol em São Paulo, lindo dia para sair de casa e fazer algo diferente, resolvemos então conhecer o Memorial do Imigrante no Brás. Antes fomos almoçar no restaurante Don Carlini que é bem ali pertinho, ótima casa de massas, vale a pena conferir também.

Depois desse belíssimo almoço, seguimos em direção ao Memorial pelas ruas do Brás dando de cara com um bonde andando em plena rua Visconde de Parnaíba. Engraçado ver um bonde de 1912 disputando espaço na rua com os carros do século XXI. Seguimos o bonde até que ele parou na frente do prédio do memorial do imigrante, para pegar mais pessoas para o pequeno passeio pela rua.


Com um ingresso de 4 reais, você tem acesso ao belíssimo prédio da hospedaria, que começou a ser construído em 1886 com um jardim muito bem cuidado na frente.

Logo ao lado se vê 2 Fords “bigode” representando a época em que a hospedaria vivia cheia de imigrantes.

Caminhando para o lado esquerdo do prédio, mais à frente, perto das duas relíquias acima, pode-se ver uma casinha de madeira com teto de palha ao lado de uma mini plantação de café, representando a moradia inicial de um imigrante que trabalhava nas lavouras de café no interior de São Paulo, assim como o meu bisavô fez quando passou por aquela hospedaria.

Seguindo para o prédio, existe uma sala de emissão de certificados das famílias que passaram pela hospedaria. Não precisei buscar essa informação, pois já havia feito a busca pela internet e conseguido todos os certificados. Busca Della Negra

Meu tataravô pisou na hospedaria com a sua família, em 19 de setembro de 1891, meu bisavô chegou com ele quando tinha apenas 8 anos e provavelmente ficaram na hospedaria os 6 dias de limite até serem encaminhados para as fazendas de café em Campinas.

Seguindo em frente, quando estávamos indo para o pátio central, ouvimos os sinos do chefe da estação, vestido como se estivesse em 1910, chamando para o passeio de trem que sairia as 15hs.

Fomos até a estação de trem que fica dentro do memorial do lado direito, onde também há uma exposição ferroviária do berço da SPR - São Paulo Railway, que depois virou Estrada de Ferro Santos a Junidaí - EFSJ, depois RFFSA e atual CPTM.

O bilhete para o passeio custa 5 reais e dura 30 minutos, comprei 2 para embarcar no trem Maria Fumaça, à vapor, com a minha mulher e o meu filho ainda na barriga. A Máquina já estava bufando, esperando o apito do chefe da estação. Embarcamos no carro restaurado todo de madeira, muito bonito com muitos detalhes e ilustrado com jornais da época nas paredes.

O Chefe da estação apita, a máquina também e começa o passeio, que é bem curto, vale mais para conhecer a história da ferrovia, do trem e de como chegavam os nossos ascendentes.


Os imigrantes que chegavam de navio no porto de Santos, depois de 30 a 60 dias em alto mar, desembarcavam diretamente nesta linha de trem que os levavam até a hospedaria do Brás. Esta linha ligava Santos a Jundiaí, passando pelo Brás, as pessoas desciam, tomavam banho, toda a medicação, comida, corte de cabelo e tudo mais para continuar bem instalados no Brasil. Além disso, eles recebiam um cadastro de entrada no país e contratos de trabalho nas fazendas de café no interior paulista.

Ainda deu pra ver o cemitério de máquinas e vagões do acervo da ABPF-SP - Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, que é uma ONG que mantém e recupera as belíssimas máquinas.
Para a criançada é muito mais divertido, principalmente por ouvir aquele barulho dos vagões e do apito da Maria Fumaça, algo realmente para ficar na memória.

O mais interessante, além de saber que meu bisavô italiano chegou do porto de santos por aquela linha e foi trabalhar em campinas em uma fazenda de café, também foi relembrar um fato que até aquele momento não havia conectado, que o meu avô espanhol havia trabalhado como ferroviário naquela mesma companhia de trem a São Paulo Railway, provavelmente no mesmo trajeto que o meu bisavô italiano havia feito anos mais cedo. Algo que não havia passado pela minha cabeça até ali.

Depois do pequeno passeio de Maria Fumaça, continuamos a ver a exposição pelo Museu multimídia e a exposição de fotos e objetos da hospedaria. A exposição é bem legal para voltar ao tempo e imaginar os antepassados que passaram por lá, a italianada, a japonesada, portuguesada, espanholada e todos os mais de 80 povos que invadiram são Paulo entre 1888 e 1978, enquanto a hospedaria funcionou.

Vale a pena conferir, conhecer e pesquisar, o prédio é muito bem conservado e repleto de história, tem uma ótima infra-estrutura, banheiros e até uma cafeteria de ótima qualidade. O prédio também oferece algumas exposições esporádicas além do acervo que é fixo.

O lado negativo fica por conta da localização, o entorno está muito mal cuidado, muito lixo e mendigos por todo o lado. Aquela região do Brás, entre a avenida dos estados e a radial leste, realmente foi esquecida pela administração paulista.

Mas o Museu é um oásis no meio daquele deserto de abandono que é o Brás.
Não perca!

Memorial do Imigrante

Visconde de Parnaíba, 1316
Bairro do Brás - São Paulo
De terça a domingo das 10:00 às 17:00 horas (inclusive feriados)
Ingresso - R$ 4,00 (Quatro Reais)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pizza em casa é coisa de paulista

Eu sou viciado em pizzas, tenho que assumir. Tão viciado que acabei construindo um forno de pizza no meu pequeno quintal, quase ocupando metade dele.


Será que é mania de paulista?
Em São Paulo são consumidas quarenta mil pizzas por hora, quase um milhão por dia, isso só na capital paulista, com esses números, São Paulo ocupa o segundo lugar no ranking das cidades que mais consomem pizzas, perdendo apenas para Nova York.

Quando eu era pequeno me lembro claramente dos sábados com a minha família em casa, o programa era sempre o mesmo: fazer pizza em casa e assistir um filme no vídeo-cassete, um dos primeiros comprados em todo o bairro.

Minha mãe no sábado de manhã fazia a seu roteiro em busca dos ingredientes para o preparo e dava uma passada na locadora do bairro para alugar alguns filmes.

Meu pai começava os trabalhos no fim da tarde, deixava o forno à gás esquentando minutos antes, preparava os ingredientes comprados pela mamma e começava a cortar o tomate para o preparo do molho, que ele fazia com tomate comum, com pele mesmo, jogava no liquidificador com um pouco de água e sal, batia até virar uma pasta que ele deixava descansando.
Depois começava a mistura dos ingredientes, a especialidade dele era a pizza de atum com milho e mussarela, abria todos os enlatados, deixava escorrer a água, depois em um vasilhame, ele misturava o milho, o atum, cebola bem picada e salsinha.

A massa não era feita em casa, mas ela era caseira, minha mãe comprava uma massa no supermercado que não era industrializada, semi-assada e fina, não ficava igual da pizzaria, pois não era fresca, mas dava pro gasto.

O molho era peneirado e passado na massa, que ficava em uma forma de alumínio. Depois ia direto ao forno sem recheio, apenas para secar um pouco o molho. Ele fazia isso para não deixar a massa molhada, isso acontece porque o forno convencional não chega na temperatura ideal.

Depois disso ele tirava do forno e recheava com o atum e milho, que às vezes eu roubava algumas garfadas pra comer. Depois do recheio ele cobria com mussarela, muita mussarela em fatias, e lá ia para o forno de novo, dessa vez para assar de verdade com o recheio. A pizza ficava lá quase uns 20 minutos para assar direito, depois colocava um pouco de orégano e era só comer.
Admito que não era a melhor pizza do mundo, mas era divertido ajudar ele a fazer as redondas na pia lá de casa, com o que tínhamos, até que ficava bem feitinha, mas a massa caseira ficava um pouco crocante de mais.

Vários anos depois, tentei aprimorar a técnica do meu pai e comecei tentando algo um pouco mais profissional, juntei alguns trocados e mandei fazer o forno a lenha no quintal, comprei uma pá, lenha, peguei uma boa receita de massa e caprichei nos ingredientes. Decidi que queria fazer direito, não que meu pai fizesse errado, mas ele fazia do jeito dele sem muito aparato, bem caseiro mesmo, não como é feito em pizzarias.

Bom, a grande diferença mesmo era o forno a lenha, que atinge a temperatura correta para assar a massa crua, isso era fundamental para a consistência da massa, que é uma das coisas mais difíceis de fazer, pois você precisa sovar na mão a farinha com água e fermento até e achar o ponto certo para ela crescer e não ficar dura.

Outra diferença é o molho de tomate, pois hoje eu compro tomate pelado, corto bem e mando pra panela pra cozinhar alho picado e sal. O restante é simples e parecido com o que ele fazia, com a diferença de não precisar pré-assar a massa com o molho antes, pois o forno a lenha consegue assar a massa em apenas 2 minutos.

Modestamente, minha pizza é muito boa, sempre que podemos nos reunimos em casa pra comer pizza e tomar vinho com os amigos, principalmente quando está frio. Uma das minhas especialidades é a pizza de abobrinha com queijo tipo polenghi e a margherita com manjericão fresco, mas lógico que não poderia faltar a receita do meu pai, de atum com milho.

Infelizmente, vamos ter que mudar de casa para um apartamento um pouco mais perto do nosso trabalho, para ter essa comodidade, vamos ter que abdicar do forno à lenha em casa.
São Paulo é assim, as pessoas têm que se acomodar o mais perto possível do trabalho para terem mais qualidade de vida, ou você estará fadado a perder um bom tempo no percurso.

Nossa salvação é que a minha sogra fez um forno de pizza na casa dela, no interior de São Paulo.
A tradição familiar vai continuar.